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Como uma tragédia preparou a Filadélfia para o calor extremo

Cidade recebe multidões para a Copa do Mundo e as comemorações dos 250 anos dos EUA sob sensação térmica de até 43°C

Torcedores se reúnem em frente ao Lincoln Financial Field antes de partida da Copa do Mundo.

Uma onda de calor perigosa deve atingir o leste dos Estados Unidos nesta semana, com a sensação térmica podendo chegar a 43°C na Filadélfia até domingo. O momento é delicado, pois a cidade receberá multidões para as comemorações dos 250 anos dos EUA e para os jogos da Copa do Mundo. Apesar do risco, a […]

Uma onda de calor perigosa deve atingir o leste dos Estados Unidos nesta semana, com a sensação térmica podendo chegar a 43°C na Filadélfia até domingo. O momento é delicado, pois a cidade receberá multidões para as comemorações dos 250 anos dos EUA e para os jogos da Copa do Mundo.

Apesar do risco, a Filadélfia é considerada uma das cidades mais preparadas do país para o calor extremo. Essa capacidade vem de uma tragédia ocorrida em 1993, quando uma onda de calor matou 118 pessoas na cidade, a maioria idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Antes de 1993, uma morte só era considerada causada pelo calor quando havia sinais claros de hipertermia, ou seja, quando a temperatura corporal chegava a 105°F (40,5°C) ou mais. Com isso, muitos casos em que o calor agravava outros problemas de saúde, como doenças cardíacas, não entravam na contagem oficial por não aparecerem como causa direta no atestado de óbito.

Depois da tragédia, o médico-legista da cidade decidiu ampliar esse critério e passou a contar também as mortes em que o calor era apenas um fator contribuinte. A mudança deu um retrato muito mais realista do impacto real das ondas de calor e se tornou modelo para outras cidades.

A partir desse momento, a Filadélfia criou um sistema de alertas, centros de resfriamento, uma linha telefônica de emergência e uma rede de voluntários para checar vizinhos vulneráveis. Segundo especialistas, esse modelo pioneiro já salvou mais de cem vidas e inspirou outras cidades.

Segundo o climatologista Laurence Kalkstein, mesmo com o avanço das mudanças climáticas, as mortes por calor em Filadélfia não aumentaram nas últimas décadas. Para ele, esse é um dos maiores sinais de sucesso das políticas adotadas pela cidade, já que seria esperado que o número de mortes crescesse junto com o aquecimento global.

Para esta semana, a prefeitura reforçou as medidas com tendas refrigeradas, pontos de água e postos médicos pela cidade. Bairros mais vulneráveis ao calor, como Hunting Park, também receberam atenção extra em treinamentos recentes. As informações foram retiradas do The Washington Post.

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