- Flávio Bolsonaro enviou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) uma manifestação pedindo adiar por ao menos 180 dias a possível entrada em vigor de novas tarifas contra o Brasil.
- O senador prometeu, se eleito, nomear negociador para conduzir tratativas de boa-fé com os EUA e tomou medidas para contestar acusações de comércio desleal.
- Entre as propostas, ele disse que não conectará o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos não ocidentais, defenderá a desoneração do setor de cartões de crédito e buscará acordos bilaterais de comércio com os EUA, buscando abrir o Brasil ao Mercosul.
- Flávio afirmou que, caso haja fortalecimento da oposição no Senado, ministros do STF poderiam ser cassados, alinhando-se a críticas de censura às plataformas digitais feitas pelo campo bolsonarista.
- O documento faz parte de um contexto de negociação entre Brasil e EUA após investigação do USTR que recomendou tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros, com o Pix e o Mercosul entre os pontos contestados.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou nesta quinta-feira (2/7) uma manifestação ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) para tentar adiar a entrada em vigor de novas tarifas contra o Brasil. O objetivo é suspender a punição por pelo menos 180 dias, em meio a uma investigação que envolve políticas de comércio e tecnologia.
A leitura do documento ocorre em Washington, onde o parlamentar busca influenciar a gestão de Donald Trump. Flávio sustenta que novas tarifas poderiam beneficiar a campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e argumenta pela necessidade de negociação de boa-fé entre Brasil e Estados Unidos.
Entre as propostas, o senador listou ações caso seja eleito, incluindo a não interligação do PIX a redes de pagamento internacionais não ocidentais, a desoneração do setor de cartões de crédito e a busca por acordos bilaterais de comércio com os EUA. Há ainda menção à redução de vínculos com o Mercosul.
Ações sobre o PIX e redes de pagamentos
O documento afirma que o PIX é um fator central na discussão, com o governo americano citando vantagens para o Brasil e críticas a políticas do Banco Central que, segundo a versão dos EUA, privilegiam o sistema brasileiro. Flávio defende o PIX como inovação do governo anterior, e sustenta que não haveria prejuízo às empresas americanas com sua expansão.
Segundo a manifestação, a criação do PIX ampliou a inclusão financeira e a demanda de consumo, o que, em tese, beneficiaria também companhias norte-americanas ligadas a comércio eletrônico, tecnologia e fintechs. O senador diz ainda que a interação com arranjos de liquidação fronteiriça não ocidentais não será buscada, caso ele assuma a presidência.
Relação com o Mercosul e acordos comerciais
Flávio propõe acelerar acordos bilaterais com os EUA para aumentar comércio e investimento, defendendo o afastamento gradual das amarras do Mercosul. O USTR aponta que o Brasil privilegia acordos com México e Índia, o que poderia reduzir tarifas para esses parceiros. O senador promete explorar caminhos que favoreçam o comércio direto entre Brasil e EUA.
A ideia é que o Brasil reduza a dependência de blocos regionais para ampliar oportunidades com mercados externos. O documento também aponta disposição para negociar condições mais favoráveis e reforçar a cooperação comercial entre as duas nações.
Corrupção, regulações e redes sociais
A investigação dos EUA aponta falhas em fiscalização contra corrupção e na proteção à propriedade intelectual no Brasil, além de críticas à atuação do Judiciário sobre plataformas digitais de redes sociais. Flávio adota tom crítico às decisões do STF e a movimentos regulatórios vistos como contrários a plataformas americanas.
O senador sustenta que o Legislativo é o caminho para respostas a tarifas amplas e afirma que ações contra autoridades do Judiciário poderiam ocorrer se houver mudança no equilíbrio político após as eleições de outubro. O tema foi apresentado em carta ao governo americano como parte do diálogo bilateral.
Contexto institucional e próximos passos
A USTR concluiu o relatório com recomendações de tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros, com justificativas ligadas a práticas consideradas onerosas ao comércio dos EUA. O prazo para manifestações terminou em 1º de julho, e uma audiência pública nos EUA está marcada para 6 de julho.
O governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, contesta as acusações e vem promovendo negociações com autoridades americanas para evitar ou mitigar as tarifas. O chanceler Mauro Vieira assinou manifestação em defesa de tarifas menos severas, caso haja acordo.
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