- Um relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos aponta 144 incidentes de espionagem com drones atribuídos ao Kremlin, ocorridos entre o fim de 2024 e início de 2026 em mais de uma dezena de países da OTAN, mais a Irlanda.
- A campanha teria usado drones lançados a partir de navios da chamada frota fantasma, com sistemas de rastreamento desligados, para monitorar instalações nucleares e militares na Europa.
- Entre os alvos estariam bases nucleares estratégicas, como RAF Lakenheath, no leste da Inglaterra, e a base naval francesa de Île Longue, na Bretanha. Drones sobrevoaram também instalações na Bélgica, Holanda e Dinamarca, entre 2024 e 2025.
- Casos marcantes incluíram avistamentos sobre bases britânicas, ações perto de Île Longue em dezembro de 2025 e a inspeção de navio Boracay pela França, que reforçou a militarização da frota associada a atividades suspeitas.
- Os pesquisadores afirmam haver fortes indícios de coordenação pela inteligência militar russa (GRU) e dizem que, após 2025, operações diminuíram conforme marinhas europeias intensificaram o combate à frota fantasma; o estudo aponta múltiplos objetivos, como mapear cadeias logísticas militares e pressionar governos.
O estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) aponta uma campanha de espionagem atribuída ao Kremlin, com drones lançados a partir de navios da chamada frota fantasma. Entre fim de 2024 e início de 2026, foram registrados 144 incidentes em mais de uma dezena de países da Otan e na Irlanda.
Segundo os pesquisadores, as operações visaram bases militares e instalações nucleares na Europa, revelando falhas na detecção e neutralização de drones de pequeno porte. Em nenhum caso houve abatimento ou captura das aeronaves, que teriam sido monitoradas a distância.
O IISS afirma que os drones eram possivelmente lançados de embarcações mercantes ligadas à frota fantasma, cuja navegação costuma ocorrer com sistemas de rastreamento desligados. Casos ligados à presença de esses navios acompanharam várias ocorrências entre 2024 e 2025.
Navios da ‘frota fantasma’
Entre os alvos estão bases estratégicamente relevantes para a dissuasão nuclear ocidental, como a RAF Lakenheath, na Inglaterra, onde os EUA relocalizaram armas nucleares em 2025, e a base francesa de Île Longue, na Bretanha, que abriga submarinos com mísseis nucleares. Drones sobrevoaram essas áreas sem registro de resposta efetiva.
Na tríade Bélgica, Holanda e Dinamarca, drones foram detectados perto de bases com armamentos atômicos em Kleine-Brogel e Volkel, além de ocorrerem avistamentos próximos ao litoral dinamarquês, que motivaram o fechamento temporário de parte da infraestrutura aeroportuária em 2025.
Bases nucleares
Casos também envolveram bases britânicas com atuação de aeronaves não tripuladas sobre alvos da USAF, como RAF Lakenheath e RAF Fairford. Em uma operação, um helicóptero policial perseguiu os drones, mas a ação foi encerrada por questões de segurança. Técnicas com lasers chegaram a ser discutidas, sem implementação.
Na França, cinco drones foram observados sobre Île Longue em dezembro de 2025, com quatro navios da frota fantasma circulando a 100-200 km da costa. Em outra ocasião, o navio Boracay, acatado pela marinha francesa, foi inspecionado e revelou capitão chinês e dois russos ligados ao Moran Security Group, fortalecendo a percepção de militarização dessas embarcações.
Objetivos
Os autores sustentam que a campanha buscava monitorar instalações nucleares, mapear cadeias logísticas militares, testar defesas da Otan e exercer pressão psicológica sobre governos europeus. A análise indica que os incidentes teriam diminuído em 2026, conforme marinhas europeias intensificaram operações contra a frota fantasma.
O estudo reforça que várias autoridades receberam positivamente a divulgação da investigação, que reúne evidências acumuladas ao longo de meses. Models de drones variados teriam sido empregados, incluindo unidades de reconhecimento de longo alcance com capacidade de permanecer no ar por cerca de 12 horas.
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