- O chanceler alemão Johann Wadephul afirmou, em São Paulo, que acordos entre democracias confiáveis, com certo protecionismo econômico, são cruciais e mencionou o Brasil como parceiro próximo.
- Wadephul ressaltou que a Alemanha continuará cooperação com a China, mas avalia quando o gigante asiático domina muita parte da economia, vendo a concorrência como motor de inovação.
- A porta-voz do Wilo Group, Svenja Ahlburg, chamou atenção para a falta de crédito ao Brasil e destacou a importância de gerar valor local e inovação para tornar o Brasil um hub industrial.
- A Alemanha é a maior economia da Europa e terceiro maior parceiro comercial do Brasil, com fluxo comercial de US$ 21 bilhões e estoque de investimentos diretos de US$ 44 bilhões.
- O Fundo Amazônia já beneficiou centenas de milhares de pessoas com atividades sustentáveis; em abril, a Alemanha se comprometeu com R$ 2,94 bilhões ao Fundo Clima para ações contra as mudanças climáticas.
Em São Paulo, o chanceler da Alemanha, Johann Wadephul, defendeu que acordos precisam ter valores democráticos sólidos. Ele participa de painel do AHK Business Breakfast, promovido pela Câmara Brasil-Alemanha, durante a semana no Brasil. O tema central foi cooperação entre nações com regras estáveis e previsíveis.
Wadephul afirmou que, em um mundo de maior desconfiança, é essencial aproximar-se de países baseados na legalidade e na segurança jurídica. O representante alemão citou os Estados Unidos e a política tributária de Donald Trump como exemplos de desordem, e destacou o Brasil como parceiro próximo, dizendo que faz parte da família.
O ministro reiterou o interesse em manter cooperações com a China, desde que haja avaliação cuidadosa sobre a participação da China na economia alemã. Em alguns momentos, o país asiático é visto como concorrente, o que, para Wadephul, estimula inovação e melhorias tecnológicas.
Para justificar a postura, o chanceler citou a necessidade de defender interesses europeus e coordenar políticas de exportação. Como exemplo, mencionou a exportação de automóveis chineses com preços baixos como fator a ser monitorado para evitar distorções no mercado alemão.
Brasil
Svenja Ahlburg, porta-voz do Wilo Group no painel, destacou a carência de crédito ao Brasil e reforçou a relevância do país para a indústria alemã, mesmo que isso não seja amplamente discutido no debate público. Ahlburg atua como mediadora de negócios na América Latina e ocupa posição de vice-presidente da regional.
Ela ainda enfatizou a importância da geração de valor local e da competitividade brasileira. Segundo a executiva, a simples redução tarifária não basta; é preciso incentivar a inovação e ampliar componentes locais para tornar o Brasil um hub produtivo, não apenas um mercado consumidor.
Relações e impactos
A Alemanha figura como a maior economia europeia e participa ativamente do comércio com o Brasil, com movimentação de US$ 21 bilhões e um expressivo estoque de investimentos diretos estimado em US$ 44 bilhões. O país é o sétimo maior investidor no Brasil, segundo dados recentes.
Em maio, foi assinado o Acordo Mercosul-União Europeia, que busca cooperação em áreas como defesa, IA, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisa oceânica. A Alemanha também é destacada entre os países que investem recursos no Fundo Amazônia, com 18 anos de atuação.
O Fundo Amazônia já beneficiou centenas de comunidades, com atividades produtivas sustentáveis, populações indígenas e unidades de conservação. Em 2023, o país confirmou aportes significativos para ações de redução de emissões e combate às mudanças climáticas no Brasil, reforçando o compromisso com projetos ambientais.
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