- O governo dos Estados Unidos confirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) falará na audiência pública da investigação comercial contra o Brasil.
- O evento, no segundo dia, vai discutir a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com decisão prevista até 15 de julho.
- A apresentação de Flávio está marcada para as 10h no horário de Washington (11h em Brasília); ele deve viajar aos EUA no fim de semana.
- O painel também terá Roberto Azevêdo, Letícia Sperb Masselli, Matt Priest e Peter Grueterich, entre outros, em sessão organizada pela USTR.
- O Brasil busca evitar as tarifas por meio de diplomacia, com propostas como reduzir tarifas em alguns setores, enquanto o Pix ficou fora das negociações.
O governo dos Estados Unidos confirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) falará na audiência pública da investigação comercial contra o Brasil. O evento integra a segunda e última parte do processo. A decisão sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% será embasada pelo que for apresentado.
A fala de Flávio está prevista para ocorrer às 10h, no horário de Washington (11h em Brasília), no segundo dia da audiência. O senador deve viajar aos EUA no fim de semana, após cumprir agendas no Rio de Janeiro e em Campina Grande. O objetivo é defender posições ligadas à suspensão da sobretaxa.
A audiência é conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e se baseia na Seção 301 da legislação comercial americana. Após manifestações escritas, ouvidas empresas, entidades e especialistas vão compor o painel antes da decisão final, esperada até 15 de julho.
Participação e painel técnico
Flávio Bolsonaro participa do processo em um momento de acirrada disputa política entre governo e oposição. O Palácio do Planalto aponta possíveis impactos negativos de medidas contra o Brasil, enquanto o senador afirma atuar pela suspensão da tarifa.
Em manifestação enviada ao USTR, o senador argumenta que a manutenção das tarifas poderia trazer vantagens políticas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fortalecendo o discurso do governo. O conteúdo integra o conjunto de argumentos apresentados durante o processo.
Além de Flávio, o painel inclui nomes de referência: Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI); Letícia Sperb Masselli, da Abicalçados; Matt Priest, da FDRA; e Peter Grueterich, do JPT Group LLC Bernardo Footwear. Esses participantes compõem o bloco de expositores do segundo dia.
Agenda brasileira e desdobramentos
Na véspera, o primeiro dia de audiência, contou com a participação de Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro, que defende mudanças na política de tarifas associadas a medidas contra ministros do STF. O posicionamento de Figueiredo reforça o caráter político do debate.
Paralelamente, o governo brasileiro busca evitar a adoção de tarifas por meio de negociações diplomáticas em Washington. O ministro Márcio França, da área de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, manteve encontros com o representante comercial americano, Jamieson Greer, apresentando propostas para reduzir tarifas em setores específicos, sem incluir o Pix nas tratativas.
A linha de defesa brasileira envolve propostas técnicas para atender preocupações dos EUA, mantendo, ao mesmo tempo, uma margem de atuação em políticas nacionais. A consulta pública, de caráter técnico e político, encerra a rodada de manifestações antes da decisão final.
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