- Em meio aos 250 anos de independência dos EUA, milhares de pessoas participam de cerimônias de naturalização e proferem o juramento de fidelidade.
- O governo federal tem adotado medidas mais restritivas de imigração, com prazos de aprovação mais longos, testes de cidadania mais rigorosos e debate sobre aumento de taxas.
- Yesica McKeone, 32 anos, tornou-se cidadã estadunidense na Califórnia, celebrando a conquista apesar das preocupações com prisões migratórias na região.
- Se aprovadas, as mudanças propostas elevam a taxa de inscrição para 1.280 dólares online ou 1.330 dólares em papel, sem possibilidade de isenção.
- Dawn Tang, naturalizado após quase uma década no país, afirma ter buscado a cidadania para ter mais segurança e participação cívica, mesmo em um momento de dúvidas sobre o acolhimento aos imigrantes.
O país comemora 250 anos de independência enquanto milhares de imigrantes buscam a naturalização. Em cerimônias de cidadania, novas pessoas prestam juramento e expressam orgulho, mas também apreensão sobre o atual endurecimento das políticas de imigração e as dificuldades do processo.
Yesica McKeone, 32 anos, tornou-se cidadã dos EUA em uma cerimônia de naturalização. Ela cresceu no estado da Califórnia, após sair do Michoacán, no México, aos dois anos. Hoje mora em Solvang, região da costa central da Califórnia.
Para McKeone, tornar-se cidadã encerra um longo capítulo de incertezas. Embora sinta proteção legal maior, ela reconhece que o pertencimento no país parece frágil diante de restrictivas vias de imigração e cidadania recentes.
A cerimônia ocorreu em meio a relatos de prazos de espera mais longos, padrões de prova mais rigorosos e taxas elevadas para a naturalização. Organizações comunitárias afirmam que o cenário político influencia a decisão de homens e mulheres elegíveis.
Dahni Tsuboi, diretora executiva da Asian Americans Advancing Justice Southern California, observa que o clima de medo pode levar alguns a adiar ou desistir do processo, mesmo para quem já vive com autorização de residência.
A comemoração de 4 de julho ganhará um contorno simbólico com cerimônias de naturalização em locais históricos, como em Mount Vernon, na Virgínia, integrando as celebrações nacionais da America 250. Para especialistas, a cerimônia repete uma ideia fundadora de cidadania.
Pesquisadores apontam que o debate sobre quem pode pertencer já persiste. Leis antigas limitaram a cidadania a determinados grupos, e mudanças históricas abriram as portas para maior diversidade, embora o tema permaneça polêmico.
Irene Bloemraad, professora da Universidade de British Columbia, afirma que os EUA mantêm um caminho relativamente acessível à naturalização em comparação com algumas nações do Golfo, que tornam a cidadania quase inviável para muitos imigrantes.
Entre os recém-nomeados, destaca-se Kwan “Dawn” Tang, naturalizado recentemente após quase uma década vivendo nos EUA como estudante e residente permanente. Ele relata que a permanência como residente costumava gerar atrasos e preocupações, e que o voto ainda não era possível.
Para Tang, a cidadania representa liberdade e pertencimento, mas a experiência de se tornar cidadão traz também sensação de dualidade diante de um cenário de maiores barreiras. Ele planeja celebrar a conquista com uma festa temática em um parque, com decoração estelar e um jogo de perguntas sobre civismo.
Especialistas ressaltam que a cidadania naturalizada continua relevante em meio a dúvidas sobre o futuro da imigração. A população que chegou aos EUA busca, por meio do juramento, uma participação mais efetiva na sociedade, apesar dos entraves institucionais.
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