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Exploração sexual supera trabalho forçado no tráfico de pessoas

Exploração sexual lidera o tráfico internacional em 2025; Camboja é destino principal (44 de 84 vítimas), com golpes digitais em destaque

Agentes da Polícia Federal (PF) buscam arquivos em ação contra exploração sexual infantil
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  • Em 2025, a exploração sexual passou a liderar os casos de tráfico internacional de pessoas envolvendo brasileiros, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, substituindo o trabalho escravo na PF.
  • O Camboja consolidou-se como principal destino, com 44 das 84 vítimas identificadas, equivalentes a 52,4% do total, muitas atraídas por falsas promessas de emprego.
  • Os casos de exploração sexual identificados pelo POP/TIP cresceram 325%, de oito para 34 registros; o total de vítimas pelo POP/TIP subiu 33,3%, de 63 para 84 casos.
  • O perfil das vítimas também mudou: 53,6% das vítimas do POP/TIP foram mulheres negras.
  • Campanhas federais com a ONU/OIM foram lançadas para combater o crime, incluindo treinamento de agentes em aeroportos e ampliação da assistência consular brasileira no Camboja a partir de agosto de 2025.

O tráfico internacional de pessoas envolvendo brasileiros mudou de perfil em 2025. A exploração sexual passou a liderar os casos investigados pela Polícia Federal, segundo o Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta sexta (3). O Camboja tornou-se o principal destino, com muitos brasileiros atraídos por falsas promessas de emprego e forçados a atuar em golpes digitais.

O documento aponta que, em 2025, os casos de exploração sexual identificados pelo protocolo POP/TIP cresceram 325%, de oito para 34 registros, invertendo a tendência de 2024, quando o trabalho escravo era o foco das investigações. Ainda assim, a Defensoria Pública da União e os Núcleos de Enfrentamento ao Tráfico mantêm o trabalho com o escravo em outras frentes de atendimento.

O Camboja concentrou 44 das 84 vítimas brasileiras identificadas em casos de tráfico internacional em 2025, representando 52,4% do total. O diretor do Departamento de Migrações do Ministério da Justiça, Victor Semple, descreveu a expansão como uma sofisticação do crime, com uso de inteligência artificial, criptomoedas e esquemas de pagamentos.

Em seguida aparecem Israel (11 casos), Itália (6), Bélgica (6) e Albânia (5). O total de vítimas notificadas pelo POP/TIP subiu 33,3% em relação a 2024, de 63 para 84 casos. Grande parte dos casos envolvendo o Camboja envolve aliciamento para trabalhos em plataformas digitais.

Ao chegar ao Camboja, as vítimas costumam ter documentos retidos, sofrer ameaças e serem forçadas a operar golpes virtuais, fraude financeira e apostas ilegais. O recrutamento ocorre principalmente por meio de redes sociais, com fraude e engano como mecanismos de controle.

O aumento do fluxo levou o governo brasileiro a reforçar a assistência consular na região. A Embaixada do Brasil no Camboja passou a funcionar de forma plena em agosto de 2025, ampliando a capacidade de apoiar as vítimas no país.

Campanhas e ações de combate

Nesta sexta, o governo federal lançou campanhas com participação dos ministérios do Esporte, Mulheres e da Anac, além da Organização Internacional para Migração e da OIM. A iniciativa inclui uma cartilha educativa e atividades de prevenção.

Nos aeroportos, agentes públicos passaram por treinamento para identificar possíveis vítimas. Em caso de suspeita, a Polícia Federal é acionada para conduzir apurações e encaminhamentos. A cartilha visa orientar viajantes em eventos no país, incluindo a Copa do Mundo de Futebol Feminina.

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