- O Festival de Avignon chega aos 80 anos com foco no futuro, sob a direção de Tiago Rodrigues, que busca perguntas sobre o que vem nos próximos 80 anos.
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- Destaques da programação incluem a estreia de Wagner Moura no festival, em parceria com Christiane Jatahy, em Um Julgamento – Depois de O Inimigo do Povo.
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- Encenações brasileiras ganham relevância: retorno de Christiane Jatahy; encerramento da trilogia Cadela Força, de Carolina Bianchi, com Uma Luz Cordial; e o projeto Transmission Impossible, de Lia Rodrigues, com 55 jovens artistas.
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- Coreia do Sul é a convidada principal, com Han Kang entre os nomes de peso; a memória de Jeju inspira peças como Oiseau e Island Story.
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- A dança contemporânea ganha espaço estratégico, com coreógrafos como Sung Im Her, Inbo Lee e Madeleine Fournier, além de propostas que dialogam com teatro, movimento e performance.
O Festival de Avignon chega aos 80 anos com perguntas sobre o futuro das artes cênicas. Sob a direção de Tiago Rodrigues, a edição de 2026 reúne nomes de peso, incluindo Han Kang, Nobel sul-coreana, e Wagner Moura, em estreia no festival. A programação amplia a presença da dança contemporânea.
A edição não foca na nostalgia. Para Rodrigues, o ponto de partida foi o questionamento: o que fazer nos próximos 80 anos do festival? A ideia permeia a seleção, que trata de memória, violência, transmissão cultural, crise climática e circulação global das culturas.
O festival mantém sua estrutura principal, com o IN, o maior palco, apresentando 47 espetáculos e cerca de 300 apresentações. O OFF, que completa 60 anos, reúne cerca de 1.700 produções, consolidando Avignon como vitrine global para companhias independentes.
Destaques da programação
Wagner Moura estreia em Um Julgamento – Depois de O Inimigo do Povo, com criação de Christiane Jatahy e Lucas Paraizo. A montagem transforma o público em instância de julgamento, reformulando a presença do ator no palco.
Christiane Jatahy retorna ao festival, dando continuidade a uma relação já estabelecida com Avignon. Ao lado de Moura, apresenta um projeto que dialoga com o cinema e o teatro, ampliando a circulação de obras lusófonas na Europa.
A gaúcha Carolina Bianchi encerra a trilogia Cadela Força em Uma Luz Cordial, apresentando o desfecho da obra. A artista comenta que o retorno avalia a conclusão da trilogia e propõe novas leituras cênicas.
A coreógrafa Lia Rodrigues lidera Transmission Impossible, reunindo 55 jovens artistas de diversas nacionalidades, incluindo estudantes da Escola Livre de Dança da Maré, no Rio de Janeiro. A iniciativa reforça o peso da dança na edição.
Presença de artistas sul-coreanos
A Coreia do Sul figura como língua convidada da edição, ampliando o mapa cultural de Avignon. Han Kang participa entre 12 e 18 de julho, reforçando o eixo intelectual da programação.
Duas montagens a partir do romance Impossíveis Adeuses, de Han Kang, chegam à Praça Cour d’Honneur. Oiseau, com Julie Deliquet, Isabelle Huppert e Hyeyoung Lee, e Che dolore terribile è l’amore, de Daria Deflorian, compartilham o tema histórico do massacre de Jeju (1948-1949).
Island Story, de Kyung-Sung Lee, mergulha na memória de Jeju por meio de entrevistas e pesquisa arqueológica, explorando o papel do teatro na transmissão de histórias familiares.
Dança e linguagem
A dança contemporânea amplia presença com trabalhos que cruzam fronteiras entre gênero e linguagem. Sung Im Her apresenta 1 Degree Celsius, sobre aquecimento global, enquanto Inbo Lee revisita Yeonhee, trazendo dança, percussão e elementos circenses para o século 21.
Madeleine Fournier, figura proeminente da nova geração, apresenta Growing Piece. O conjunto XY e outras obras híbridas reforçam a tendência de privilegiar cruzamentos entre teatro, movimento, música e performance.
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