- A 57ª edição dos Encontros de Arles ocorre de 6 de julho a 4 de outubro, na cidade francesa, sob o tema “Mundos para reler”.
- O fotógrafo Gui Christ participa da coletiva “Nous ne sommes pas seuls – Images extraterrestres” (Croisière), com imagens do Vale do Amanhecer, próximo a Brasília.
- Souleymane Bachir Diaw disputa o Prêmio Descoberta Fundação Louis Roederer 2026 com a série “Sutura”, no espaço Monoprix; a obra aborda masculinidade e estruturas patriarcais.
- No festival OFF, Carolina Arantes apresenta “First Generation”, sobre mulheres francesas de ascendência africana, com registro sonoro e retratos íntimos.
- A programação inclui exposições da Associação Iandé e retrospectivas de nomes como Omar Victor Diop, Lee Shulman e revisões de outros artistas, além de atividades paralelas para profissionais e público.
Na 57ª edição dos Encontros de Arles, a fotografia brasileira ganha destaque com várias propostas que acontecem na cidade francesa, de 6 de julho a 4 de outubro de 2026. O tema é Mundos para reler, com mais de 40 exposições distribuídas pela cidade, famosa por seus monumentos romanos e pela relação histórica com a arte fotográfica.
Gui Christ, fotógrafo carioca, integra a coletiva Nous ne sommes pas seuls – Imagens extraterrestres, na seção Croisière. A mostra, curada por Philippe Baudouin, investiga a cultura da dúvida visual por meio de arquivos da NASA e trabalhos contemporâneos sobre o tema OVNIs. Christ apresenta imagens feitas no Vale do Amanhecer.
O Vale do Amanhecer, complexo espiritual próximo a Brasília, reúne diversas tradições em um cenário visualmente marcante. O projeto foi desenvolvido para a National Geographic em 2018 e busca indicar como a fotografia pode revelar mundos além do olhar ocidental, segundo o fotógrafo.
Participações e prêmios
Na categoria Prêmio Descoberta Fondation Louis Roederer 2026, o laboratório La.Ima, coordenado em Paris por Ioana Mello e Oleñka Carrasco, expõe o senegalês Souleymane Bachir Diaw com a série Sutura. A obra discute verdades não ditas dentro da estrutura patriarcal do Senegal, com enfoque na masculinidade e no deslocamento do artista.
Segundo Ioana Mello, o projeto utiliza tecidos e imagens performáticas para propor uma reparação de feridas privadas e sociais. A instalação acontece no espaço Monoprix durante o festival.
No festival Arles OFF, Carolina Arantes apresenta First Generation, com curadoria de Denise Camargo e Azu Nwagbogu. A mostra reúne depoimentos de mulheres francesas de ascendência africana, mesclando entrevistas, arquivos de família e fotografia documental, com design sonoro de Isadora Dartial.
Exposições imersivas e iniciativas paralelas
A Associação Iandé organiza exposições imersivas de artistas brasileiras sob o tema Os Arquivos e o Íntimo, com Gláucia Nogueira e Jonathan Pierredon na curadoria. A proposta traz narrativas de memória a partir de arquivos pessoais, incluindo a série Ive Never Been to Japan sobre imigração japonesa no Brasil.
Entre as retrospectivas, o festival reserva espaço para grandes nomes da fotografia contemporânea e histórica, como Omar Victor Diop e Lee Shulman, além de projetos de Clément Cogitore, Paul Kodjo, Rebekka Deubner e Orianne Ciantar Olive. A programação também contempla reedições de obras de William Klein e Harry Gruyaert.
A programação paralela contempla leituras de portfólios, feira de livros, debates e conferências, ampliando o alcance para profissionais e público em geral. As atividades visam ampliar o olhar sobre identidades, memórias e narrativas visuais presentes no continente africano, no Mediterrâneo e além.
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