- O humorista Deniz Göktaş foi preso em Istambul após retornar de férias, acusado de insultar o presidente e denegrir valores religiosos.
- O show que gerou controvérsia foi registrado em Istambul e já acumula cerca de 9,4 milhões de visualizações no YouTube.
- O tribunal de Çağlayan autorizou a detenção preventiva após ele ser questionado pelo Ministério Público.
- A polícia diz ter recebido 185 denúncias sobre o vídeo, em meio a uma onda de repressão a dissidência antes da cúpula da Otan em Ankara.
- Nas últimas semanas, detidos incluíram ativistas LGBT+, jornalistas, advogados e voluntários da Tema Foundation, com bloqueios e restrições a redes sociais.
Um comediante de stand-up foi preso por ordem de uma corte em Istambul após ser detido no principal aeroporto da cidade, relacionada a uma apresentação com 9,4 milhões de visualizações no YouTube. Deniz Göktaş é acusado de incitar ódio e hostilidade, além de denegrir publicamente o presidente Recep Tayyip Erdogan durante o show.
Göktaş foi encaminhado à Justiça após ser interrogado no fórum Çağlayan, em Istambul. O tribunal manteve a detenção pré-processual dele, sob acusações de insultar o presidente e de denegrir valores religiosos. A confirmação veio após recebimento de 185 queixas sobre o vídeo pela equipe de procuradoria.
A operação ocorre em meio a uma onda de repressão a dissidentes na Turquia, que tem atingido artistas, jornalistas e ativistas. Nas últimas semanas, contas de redes sociais de várias organizações LGBT+ foram bloqueadas e mais de 200 pessoas foram detidas antes da cúpula da OTAN em Ancara.
Detalhes do caso e contexto
A apresentação de Göktaş foi gravada no principal espaço ao ar livre de Istambul em 1º de junho e publicada no YouTube em 24 de junho. Segundo o comediante, mais de 100 mil pessoas assistiram e não houve queixas de ofensa em relação a aquele trecho específico.
As autoridades religiosas também comentaram sobre o show. A direção de assuntos religiosos mencionou o episódio sem citar o nome do humorista em um sermão semanal lido nas mesquitas. O gabinete do grand mufti criticou o uso de plataformas digitais que, segundo eles, subestimam valores sagrados sob a desculpa do humor.
Göktaş afirmou ter a intenção de não ofender qualquer grupo religioso. Ele negou ter insultado Erdogan, lembrando que há quase três anos apresenta o show em diferentes cidades do país e que a palavra utilizada para chamar o presidente de “ditador” é tema amplamente discutido na Turquia.
Desdobramentos e repercussão
No momento, há mobilização de apoiadores do comediante em Istambul, com protestos em frente ao tribunal onde o artista permanece detido. A polícia continua monitorando o caso, enquanto a imprensa independente relata restrições de credenciamento de mídias para a cobertura da cúpula da OTAN, prevista para ocorrer em julho em Ancara.
A cúpula, que reunirá lideranças do exterior, é cercada por medidas de segurança com milhares de agentes. O governo turco também decretou proibição de manifestações em Ancara até 10 de julho, fortalecendo o ambiente de restrição de liberdade de expressão observado pelo setor jornalístico e pela sociedade civil.
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