- Terremotos de 24 de junho de 2026 mudaram a relação entre os EUA e a Venezuela, deixando de lado a estratégia de estabilização, recuperação e transição prevista pelo governo Trump, que recebeu críticas internas.
- O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reconheceu que a estratégia sofreu um revés, enquanto o encarregado de negócios dos EUA na Venezuela, John Barrett, afirmou que o plano ainda está em vigor, embora pareça diferente.
- Especialistas apontam que o choque interrompe a agenda e torna mais difícil uma transição política organizada; a reconstrução deve dominar os esforços por anos.
- Na esfera econômica, os Estados Unidos prometem cerca de $300 milhões de dólares para ajuda emergencial, valor considerado insuficiente frente à crise humanitária e aos custos da reconstrução; Washington também controla transações de petróleo venezuelano e a disponibilidade de recursos.
- A crise afetou a oposição, incluindo a líder exilada María Corina Machado, impedida de retornar ao país; Washington mantém o foco na resposta humanitária, o que pode não alinhar-se aos objetivos da oposição.
Na sequência de terremotos ocorridos em 24 de junho de 2026, a prioridade das autoridades dos EUA para a Venezuela mudou: a resposta humanitária ganhou peso e a estratégia de três fases — estabilização, recuperação e transição — ficou em segundo plano. O governo de Donald Trump não afastou completamente o plano, mas reconheceu que houve um revés significativo.
O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a estratégia sofreu alterações, enquanto o encarregado de negócios dos EUA na Venezuela, John Barrett, disse que o plano continua vigente, embora com ajustes. A avaliação de Washington é de que a reconstrução deve ocupar o centro das ações por semanas e meses.
Mudança obrigatória de agenda
Os danos causados pelos tremores foram descritos como uma das piores catástrofes da Venezuela em mais de um século. Especialistas destacam que os esforços de reconstrução devem mobilizar governo e sociedade civil por um longo período. Antes do desastre, o avanço já enfrentava atrasos e divergências.
Analista sênior do International Crisis Group afirma que a reconstrução será o foco principal, com impactos potenciais nas negociações políticas. A prioridade é atender a emergência, com impactos sobre a política externa norte-americana na região.
Estados Unidos e o “51º estado”
A crise reacende o debate sobre a influência de Washington na Venezuela. Em momentos anteriores, o governo americano sugeriu a possibilidade de maior envolvimento, inclusive com interlocutores privilegiados. Especialistas ressaltam que Washington controla o ritmo das negociações e as condições de assistência.
Antes da catástrofe, a exilada líder oposicionista Dinorah Figuera participou de encontros com autoridades venezuelanas para discutir cenários eleitorais; as negociações passaram a depender do que for considerado adequado por Washington. A avaliação é de que a resposta humanitária pode reduzir a pressão por mudanças políticas imediatas.
Problemas econômicos se agravam
A ajuda financeira anunciada pelos EUA, na casa de 300 milhões de dólares, é vista como insuficiente frente à magnitude da reconstrução e à crise existente. Analistas destacam a frágil base de serviços públicos, infraestrutura degradada e escassez de alimentos. A Venezuela vem aumentando as vendas de petróleo, mas o fluxo de recursos é gerido por contas administradas pelos EUA, o que levanta dúvidas sobre transparência e alcance efetivo.
O regime de sanções implementado pelos EUA permanece como elemento-chave da política externa, com críticas sobre a eficácia e o impacto sobre a população. Questiona-se quanto dinheiro chega de fato aos cidadãos venezuelanos.
O inconveniente retorno de Corina Machado
A oposição, liderada por María Corina Machado, viu o retorno ao país interrompido pelo fechamento do espaço aéreo e pela prioridade humanitária. O governo americano reiterou que a resposta imediata à crise é central, deixando questões políticas para depois.
Especialistas divergem sobre o momento adequado para o retorno de Machado. A orientação é de focalizar a coordenação de ajuda internacional e evitar medidas que agravem a tensão no curto prazo, segundo analistas ouvidos pela imprensa.
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