- EUA chegam aos 250 anos de independência como a maior potência econômica, militar e tecnológica, mas em posição diferente após o fim da União Soviética, segundo o professor Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense.
- Para Brustolin, a Declaração de Independência de mil setecentos e setenta e seis foi, até agora, relativamente bem-sucedida, e a Constituição de mil setecentos e oitenta e sete segue vigente apesar de crises.
- O analista aponta que o arcabouço institucional foi testado nos últimos anos, com o atual presidente desafiando essa institucionalidade, especialmente após a invasão ao Capitólio no fim do primeiro mandato de Donald Trump.
- Os ideais fundadores, baseados em que “todos os homens são criados iguais”, sempre foram contestados por discriminação racial, escravidão e desigualdade econômica.
- No plano externo, os Estados Unidos continuam líderes, mas com predominância contestada, em parte devido ao crescimento da China, que, segundo Brustolin, gera a ideia de uma possível “armadilha de Tucídides” e exige mais debate sobre o futuro da liderança americana.
Os Estados Unidos completam 250 anos de independência mantendo a posição de maior potência econômica, militar e tecnológica. No entanto, a visão de futuro do país aponta para uma liderança sob contestação, segundo o professor Vitelio Brustolin, da UFF.
Para Brustolin, a Declaração de Independência de 1776 foi, até agora, uma construção relativamente bem-sucedida. A Constituição de 1787 permanece vigente, e seus pilares resistiram a guerras, crises econômicas e transformações sociais.
Apesar da solidez institucional, o analista aponta que esse arcabouço foi posto à prova nos últimos anos. O que ele classifica como um desafio interno significativo inclui episódios como a invasão ao Capitólio no fim do governo anterior.
O professor lembra que os ideais fundadores, baseados em Locke e na ideia de que todos são criados iguais, sempre enfrentaram críticas. Discriminação racial, escravidão histórica e desigualdade econômica são fatores que, segundo ele, continuam a moldar o país.
No plano externo, EUA ainda lideram em muitos aspectos, mas já convivem com uma atuação global não mais incontestável. Brustolin destaca a prevalência contestada do poder americano na era pós-Guerra Fria, especialmente diante do crescimento da China.
Esse quadro interno e externo leva Brustolin a falar de uma possível “armadilha de Tucídides”, conceito sobre a tensão entre potências estabelecidas e emergentes. O tema exige debate aprofundado sobre a liderança americana nos próximos anos.
WW Especial
O programa é apresentado por William Waack e vai ao ar aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.
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