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Grupo católico tradicionalista FSSPX passa a ser alvo de excomunhão

Vaticano declara excomunhão automática e cisma da Fraternidade Sacerdotal São Pio X após consagração de quatro bispos sem mandato pontifício

Os bispos Pascal Schreiber (Suíça), Michael Goldade (EUA), Michel Poinsinet de Sivry (França) e Marc Hanappier (França) — da esquerda para a direita — durante sua ordenação pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (Foto: EFE/CYRIL ZINGARO)
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  • O Vaticano declarou excomunhão automática aos bispos envolvidos nas consagrações de quatro bispos sem mandato papal, realizadas em 1º de julho pela Fraternidade Sacerdotal San Pio X (FSSPX), indicando cisma do grupo.
  • A FSSPX é uma fraternidade de sacerdotes tradicionalista, fundada em 1970 por Marcel Lefebvre, conhecida pela missa em latim e rejeição a reformas do Concílio Vaticano II.
  • Em 1988, Lefebvre consagrou quatro bispos em Écône, o que levou o Vaticano a declarar excomunhão de todos os envolvidos; a excomunhão foi suspensa em 2009 pelo Papa Bento XVI, que disse que a FSSPX não possui status canônico.
  • O Papa Francisco ampliou privilégios para a FSSPX, reconhecendo a validade das confissões ouvidas por seus sacerdotes e permitindo que eles testemunhem casamentos sob condições estabelecidas.
  • Em 2 de julho, o Dicastério para a Doutrina da Fé orientou como acolher antigos adeptos da FSSPX após o ato cismático, com remissão da excomunhão mediante pedido ao Papa e apresentação de documentos; fiéis devem avaliar participação nas missas da FSSPX caso a caso.

O Vaticano anunciou que as consagrações de quatro bispos feitas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em 1º de julho resultaram em excomunhão automática dos envolvidos e em cisma do grupo. A instituição foi advertida repetidamente para não prosseguir, mas manteve o ato.

A FSSPX, fundada em 1970 pelo arcebispo Marcel Lefebvre, celebra a missa em latim de forma estrita e se coloca em oposição às reformas do Concílio Vaticano II. O movimento também critica o ecumenismo e a colegialidade e administra priorados, capelas, missões, seminários e centenas de sacerdotes.

Em Écône, Suíça, o episódio de 1988 marcou o ápice da controvérsia, com Lefebvre consagrando quatro bispos contra a vontade do Papa João Paulo II. O Vaticano declarou excomunhão de Lefebvre e dos bispos, em apoio à unidade da Igreja.

O Papa Bento XVI suspensionou essa excomunhão em 2009, esclarecendo que a FSSPX não tem status canônico e seus ministros não exercem ministérios legítimos. Em 2015-2016, o Papa Francisco ampliou privilégios, validando confissões ouvidas por sacerdotes da FSSPX e, posteriormente, autorizando o reconhecimento de casamentos.

Antes das consagrações de julho, o Papa Leão XIV fez um apelo para que a FSSPX reconsiderasse, destacando o bem espiritual dos fiéis e o risco de privação de sacramentos. O Vaticano apontou que a desobediência contraria a unidade e a autoridade do Papa.

O Dicastério para a Doutrina da Fé enviou, em 2 de julho, orientações para acolher ex-membros após o ato cismático. Ex-gramo admite que sacerdotes que deixam a FSSPX devem buscar remissão da excomunhão junto a um bispo diocesano, mediante documentos e adesão à fé.

Para fiéis leigos, as determinações não são automáticas e devem ser avaliadas caso a caso. Embora as missas da FSSPX continuem válidas, o acompanhamento e participação devem seguir critérios morais e pastorais, conforme orientação da Igreja.

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