- O pogrom ocorreu em 4 de julho de 1946, em Kielce, após boato de sequestro de crianças por judeus.
- A Casa Judaica, na Rua Planty, abrigava mais de 200 judeus; a polícia atirou contra eles quando a multidão atacou.
- Sobre as mortes, o Instituto da Memória Nacional aponta 37 judeus mortos; o Museu da História dos Judeus Poloneses registra pelo menos 40 judeus e dois poloneses que tentaram defendê-los.
- O massacre provocou pânico entre a comunidade judaica remanescente e alimentou uma emigracão de cerca de 100 mil pessoas do país.
- Nove réus foram condenados à morte e executados pouco mais de uma semana após o pogrom; estudos recentes não encontraram evidência de participação de agências de inteligência.
O massacre de Kielce, na Polônia, em 1946, revelou-se como o pior ataque anti judeu no pós-Holocausto no país. Cerca de 40 judeus sobreviventes foram assassinados por uma turba que foi rapidamente estimulada por um rumor de sequestro de crianças cristãs. O episódio ocorreu na manhã de 4 de julho, na cidade de Kielce, em frente à Casa Judaica da Rua Planty, que abrigava organizações beneficentes e mais de 200 judeus que buscavam reconstruir suas vidas.
A multidão, munida de pedras e porretes, gritou “Morte aos judeus!” e invadiu o local. Policiais atiraram contra os judeus dentro do imóvel, expulsaram outras pessoas para a rua e a multidão os espancou até a morte. Suspeitas de sequestro e assassinato de crianças foram propagadas por boatos difundidos na cidade.
O boato foi alimentado por um garoto local de nove anos, que teria dito ter sido mantido em cativeiro por judeus. A irregularidade de informações, associada ao medo do retorno de judeus às casas ocupadas, contribuiu para a comoção. Trabalhadores de uma metalúrgia e outras áreas da cidade também se somaram aos ataques.
Contexto histórico
O episódio ocorreu 14 meses após a derrota nazista e marcou o aprofundamento da violência anti judaica no período imediato ao fim da Segunda Guerra. O massacre provocou pânico entre a comunidade judaica remanescente e impulsionou uma nova onda migratória, com cerca de 100 mil poloneses partindo do país.
Pelo menos 37 judeus morreram segundo o Instituto da Memória Nacional, com três poloneses falecidos tentando defendê-los. Já o Museu da História dos Judeus Poloneses aponta mais de 40 judeus mortos, além de dois poloneses que tentaram protegê-los. Os Jovens historiadores ressaltam que boatos similares ocorreram em outras cidades.
Na avaliação de estudiosos, o evento não foi somente resultado de um boato isolado. Pesquisas indicam uma combinação de libelo de sangue, disputas de propriedade e hostilidade histórica, que se intensificaram após o retorno de judeus aos lugares ocupados durante a guerra.
Julgamentos
Pouco tempo após o pogrom, autoridades comunistas realizaram um julgamento relâmpago. Nove réus foram condenados à morte e executados. A censura durante décadas manteve o tema fora do debate público na Polônia.
Nos anos recentes, o Instituto da Memória Nacional revisou o caso, não encontrando evidências de envolvimento de serviços de inteligência. O consenso atual aponta para uma reação espontânea da multidão, alimentada por preconceitos pré-existentes, sem evidência de coordenação externa.
Entre na conversa da comunidade