- Dezenas de milhares de iranianos lotaram o complexo de orações ao ar livre em Teerã para ver o caixão do aiatolá Ali Khamenei, que governou por 37 anos e foi morto no início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
- O corpo foi apresentado em um palco aberto para visita pública, após ter sido exibido em ambiente fechado para autoridades iranianas e estrangeiras.
- Entre os cinco caixões na plataforma, havia um menor dedicado à neta de 14 meses de Khamenei; a multidão entoou cânticos e lamentos, com mulheres usando chadores pretos.
- Instituições militares prometeram vingança pela morte de Khamenei, com gritos de “Morte aos Estados Unidos” que se espalharam pela Mosalla.
- A agenda fúnebre prevê deslocamentos para Qom, Najaf e Karbala, no Iraque, antes de Mashhad, onde haverá o sepultamento próximo ao túmulo do Imã Reza, programado para a próxima quinta-feira (9).
Milhares de iranianos participaram neste sábado, 4 de julho, do funeral do aiatolá Ali Khamenei em Teerã. O caixão foi levado a um palco ao ar livre na Grande Mosalla para visita pública, dois dias após ter sido exposto para autoridades iranianas e visitantes estrangeiros. O regime informou que Khamenei governou 37 anos e foi morto no início da guerra contra os Estados Unidos e Israel.
A multidão vestia preto, com bandeiras iranianas e cartazes dele e do filho, Mojtaba Khamenei. Mulheres usavam chadores pretos; parte da plateia se protegia do sol com viseiras brancas ou guarda-sóis. Um locutor pediu à força pública que lamentasse e exaltasse tradições xiitas.
Segundo a imprensa estatal, o ataque que matou Khamenei também causou a morte de familiares próximos, incluindo filha, neto e nora. Entre os cinco caixões na plataforma elevada, havia um menor dedicado à neta de 14 meses do aiatolá. Instituições de segurança prometeram retaliação contra adversários externos, com gritos de “Morte aos EUA” ecoando no recinto.
Contexto e desdobramentos
O funeral ocorre em meio a uma fase de tensão alta no Irã, com autoridades fortalecidas pelo apoio do IRGC. Mojtaba Khamenei, próximo ao comando militar, não apareceu publicamente desde o ataque que tirou a vida ao pai. Análises indicam que, apesar da demonstração de unidade, o apoio popular à República Islâmica pode estar fragilizado.
Milhões devem participar das procissões programadas para os próximos dias, com estrutura de transporte, alimentação e hospedagem fornecida pelo governo. As cerimônias levarão o corpo a Qom, Najaf e Karbala, antes do sepultamento em Mashhad, na próxima semana, conforme agenda oficial.
Entre na conversa da comunidade