- Brasil e Noruega fortalecem a parceria em comércio, energia, transporte marítimo e financiamento climático, com acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA still em tramitação.
- A Noruega é um dos maiores investidores no Brasil, com cerca de 300 empresas instaladas, e aponta oportunidades em energias renováveis, combustíveis de baixo carbono e descarbonização da indústria.
- Iniciativas concretas incluem o corredor marítimo verde do Atlântico, em parceria com a Holanda, e um memorando para soluções de descarbonização do transporte marítimo; a Noruega é a maior doadora do Fundo Amazônia e apoiadora do Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
- Do lado brito, a Noruega inspira políticas públicas como gestão da riqueza do petróleo, eletrificação da frota, captura e armazenamento de carbono e precificação de carbono com horizonte de longo prazo; ainda há dependência de petróleo e gás.
- Do Brasil, o TFFF é visto como modelo de financiamento para conservação das florestas tropicais, com aporte antecipado pela Noruega, além de diversificação da matriz elétrica, promoção da bioeconomia e diplomacia climática para acordos multilaterais.
A relação entre Brasil e Noruega atravessa um momento de fortalecimento. Os dois países ampliam cooperação em comércio, energia, transporte marítimo e financiamento climático, alinhados à transição para uma economia de baixo carbono. A agenda avança mesmo com o Mercosul-EFTA em processo de ratificação desde 2025.
A parceria também prioriza conservação das florestas, biocombustíveis de baixo carbono e descarbonização industrial. A Noruega figura como investidora relevante no Brasil, com cerca de 300 empresas instaladas, incluindo Equinor, Statkraft, Yara e Hydro.
Além de comércio, a cooperação inclui a criação de soluções de descarbonização do transporte marítimo e o apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). A Noruega é também o principal doador do Fundo Amazônia, fortalecendo a transferência de know-how em políticas públicas.
O que a Noruega pode ensinar ao Brasil
1. Transformar a riqueza dos recursos naturais em patrimônio de longo prazo
O Governo de Oslo mantém o Government Pension Fund Global, com patrimônio de NOK 21,3 trilhões em 2025 e retorno de 15,1% ao ano. O fundo serve de referência para uso de royalties do petróleo e para financiamento da transição climática, como o TFFF.
2. Políticas estáveis para acelerar a eletrificação da frota
Em 2025, 95,9% dos carros zero quilômetro vendidos foram elétricos, alcançando 98% em dezembro. Incentivos a EVs e tributação de combustíveis fósseis explicam o desempenho, mantido por décadas.
3. Captura e armazenamento de carbono como infraestrutura pública
O projeto Longship, com Northern Lights, é a primeira cadeia integrada de captura, transporte e armazenamento de carbono em escala comercial na Europa. Capacidade inicial de 1,5 milhão de toneladas/ano, com possibilidade de 5 milhões.
4. Precificação de carbono com horizonte de longo prazo
Desde 1991, o imposto de carbono gera sinais econômicos previsíveis. A meta é chegar a NOK 2.000 por tonelada de CO2 até 2030, estimulando investimentos em baixas emissões. Emissões downstream ainda elevam o total do país.
5. Financiamento climático baseado em resultados
Desde 2008, a Noruega financia o Fundo Amazônia, contribuindo com a maior parte do recurso. Entre 2009 e 2025, foram R$ 3,8 bilhões dos R$ 4,9 bilhões destinados, atestando eficiência de resultados na redução do desmatamento.
O que o Brasil pode ensinar à Noruega
1. Novos modelos de financiamento para conservar florestas tropicais
O Fundo Florestas Tropiais para Sempre (TFFF) propõe US$ 25 bilhões de recursos públicos para alavancar até US$ 125 bilhões em investimentos privados. A Noruega sinalizou intenção de contribuir com US$ 3 bilhões.
2. Diversificação da matriz elétrica renovável em escala continental
Em 2025, o Brasil atingiu 88,2% de geração renovável, com mais de 215 mil MW de capacidade. O mix inclui hidrelétrica, eólica, solar e biomassa, ampliando a resiliência da matriz.
3. Bioeconomia aliada à inclusão produtiva
Sistemas Agroflorestais são usados para ampliar renda, recuperar áreas degradadas e preservar a floresta. A iniciativa busca aliar desenvolvimento econômico a conservação ambiental.
4. Diplomacia climática para construção de consensos
No âmbito da COP30, o Brasil promoveu o TFFF e ganhou apoio de 66 países. A mobilização amplia a cooperação multilateral para financiamento da conservação.
5. Governança e transparência em financiamento ambiental
O BNDES gerencia o Fundo Amazônia, com forte foco em governança, monitoramento e prestação de contas. O modelo é apontado como referência internacional para instrumentos de financiamento climático.
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