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Fui baleado por assaltante e sangrei a caminho do hospital; temi abandono

Após levar tiro em ônibus em Caracas, jovem supera a morte e reescreve sua vida, evidenciando violência urbana e falhas no sistema de saúde

‘I’ve been given a second chance at life’ … Jesús Piñero.
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  • Em 25 de março de 2016, Jesús Piñero, então com 22 anos, foi assaltado dentro de um ônibus em Caracas; o criminoso apontou a arma e tentou levar o telefone, levando Piñero a reagir durante a tentativa de fuga.
  • O projétil perfurou um pulmão e ficou nas costas; ele foi levado às urgências de um hospital da cidade, onde recebeu atendimento sem anestesia e com a bala ainda dentro do corpo em alguns momentos.
  • A família teve que providenciar itens médicos e materiais básicos diante da crise econômica de Venezuela; Piñero recebeu suporte de parentes e vizinhos para sobreviver ao tratamento.
  • Cinco dias após o incidente ele recebeu alta para recuperação em casa; meses depois a bala foi removida, e ele seguiu recebendo tratamento no setor de atendimento a ferimentos por arma de fogo.
  • Hoje Piñero é docente em uma escola nos Estados Unidos, está concluindo o doutorado e mantém um relacionamento estável, valorizando a segunda chance de vida e o apoio da família.

Uma luta pela vida: jovem venezulano é baleado durante assalto em ônibus em Caracas e sobrevive

No dia 25 de março de 2016, Jesús Piñero, 22 anos, foi vítima de um assalto a bordo de um ônibus na zona de Petare, Caracas. O crime ocorreu durante o trajeto de cerca de cinco minutos até a residência dele. O incidente resultou em uma gravidade compatível com ferimento de bala, com Piñero lutando pela vida entre a rua e a ambulância.

Piñero cresceu em Petare, uma das áreas mais pobres de Caracas, onde a violência é cotidiana. Trabalhava como estudante em uma universidade local e já enfrentava dificuldades típicas de famílias de baixa renda, incluindo a inexistência de recursos para tratamentos médicos e itens básicos.

O assaltante sacou uma pistola na frente dele e exigiu o celular que Piñero considerava o bem mais precioso, conectando-o aos amigos, às fotos e às lembranças. Ao recuar, ele acabou sendo atingido na cabeça pelo projétil, caiu ao chão e enfrentou a tentativa de fuga do ladrão até que o agressor escapasse em uma motocicleta.

Em seguida, Piñero foi deixado na calçada da rua, ferido e com dificuldade para respirar. O motorista do ônibus e os passageiros se dispersaram, e a família recebeu a notícia com choque. A bala perfurou um pulmão, ficando alojada nas costas, o que exigiu atendimento médico imediato.

O hospital e a resposta da família

Conduzido ao setor de emergência de um hospital na capital, o jovem recebeu suporte médico sob pressão. A equipe de médicos precisou drenar o sangue com uma tubeira sob o braço esquerdo, sem anestesia adequada, para reduzir o inchaço. A bala permaneceu alojada por um mês, sendo removida apenas depois.

A hospitalização ocorreu em um contexto de grave crise econômica na Venezuela, com inflação alta, desabastecimento e serviços públicos deteriorados. A família, sem recursos, precisou buscar itens médicos quando necessários, incluindo seringas, fluidos intravenosos e materiais de curativo, recorrendo a contatos na comunidade para conseguir o que faltava.

Realidade social e consequências

Piñero passou dias no hospital sob constante vigilância de familiares, especialmente da mãe, Elisa, e das irmãs. O período de recuperação incluiu receios em relação à violência nos corredores e à possibilidade de novos ataques. O ferimento no pulmão exigiu observação médica contínua, com a chance de complicações.

Ao retornar para casa, o jovem enfrentou o trauma mental de ter sobrevivido a um episódio violento. A experiência ocorreu em um ano marcado pela instabilidade política no país, com consequências que se estenderam ao cotidiano, à educação e à mobilidade da população.

Recuperação, mudanças e perspectiva de futuro

Anos depois, Piñero afirma ter recebido uma segunda chance na vida. Ele construiu uma trajetória profissional que inclui atuação em uma escola nos Estados Unidos, conclusão de um doutorado e atividades de tutoria particulares. A família relata que o suporte emocional ficou mais estável e que ele passou a manter uma relação aberta com sua identidade.

O episódio de 2016 continua marcado no corpo e na memória do pesquisador. O ferimento deixou uma cicatriz visível, presente mesmo em conversas online. Piñero descreve que o incidente contribuiu para amadurecer, sem abandonar a pressão de lidar com as memórias de violência vivenciadas no bairro.

Elisa, a mãe, é citada como peça central do apoio familiar. O filho que retornou à vida mantém o foco em estudos e nobres objetivos, incluindo uma viagem à Itália para explorar o sonho de conhecer Veneza. A história dele, segundo menciona, serve como lembrete das dificuldades enfrentadas por muitas famílias na Venezuela e da necessidade de oportunidades para novos começos.

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