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Fronteira Brasil-Uruguai sem muro: quatro idiomas e três moedas

Fronteira sem muro Brasil-Uruguai mescla quatro idiomas e três moedas, moldando comércio, turismo e cotidiano na região

Sem muros ou cancelas, Chuí e Chuy dividem a mesma avenida em uma fronteira viva de sotaques e culturas. (Foto: Kelwin Ferraz/Prefeitura de Chuí)
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  • Fronteira Brasil-Uruguai mescla quatro idiomas (português, espanhol, portunhol e árabe) e três moedas (real, peso uruguaio e dólar).
  • Estabelecimentos conhecidos como free shops ficam no lado uruguaio, na Avenida Brasil, oferecendo perfumes, bebidas, eletrônicos e importados; brasileiros têm cota de compras de US$ 500 a cada 30 dias.
  • Comerciante Mohamed Kassem Jomaa, morador há décadas, diz que a rotina envolve falar várias línguas e aceitar pagamentos em diferentes moedas; a família atua no comércio desde 1968.
  • Chuí fica a aproximadamente 520 quilômetros de Porto Alegre e tem cerca de 6,3 mil habitantes, segundo o IBGE; a região oferece turismo com dunas, faróis e natureza preservada.
  • Principais atrativos locais: Barra do Chuí (ponta mais ao sul do país), o Farol da Barra do Chuí e o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, conhecido pela observação de aves migratórias.

A fronteira entre Brasil e Uruguai não possui muro e revela uma convivência multicultural com impactos econômicos. Nas ruas, o português e o espanhol dialogam, dando origem ao portunhol, língua comum no dia a dia da região.

Um quarto idioma entra pela experiência histórica: árabe, presente desde meados do século XX com descendentes de palestinos que habitam a faixa gaúcha. O cotidiano também envolve três moedas: real, peso uruguaio e dólar, aceitas em lojas e estabelecimentos locais.

Para Mohamed Kassem Jomaa, comerciante da região, a fronteira é rotina de negócio, não apenas atrativo turístico. Ele explica que, no balcão, clientes falam diversas línguas e pagam em diferentes moedas. A presença árabe se mistura à tradição gaúcha e uruguaia de acolhimento culinário.

Dinâmica econômica e logística

Jomaa chegou ao Chuí aos oito anos, em 1968, vindo de uma família de comerciantes árabe que atuava em São Paulo. Hoje, membros da família atuam em farmácias, restaurantes e comércio varejista, conectando as duas margens da fronteira.

Os free shops funcionam no lado uruguaio, na Avenida Brasil, em um corredor que corta o centro de Chuy. Lá, é comum encontrar perfumes, bebidas, eletrônicos e itens importados, atraindo clientes de ambos os países.

Brasileiros contam com uma cota de compras de US$ 500 a cada 30 dias, conforme regras da Receita Federal. Uruguaios, por sua vez, cruzam a avenida em sentido contrário, buscando produtos mais acessíveis em supermercados brasileiros.

Turismo e a região extremo sul

A cerca de 520 quilômetros de Porto Alegre, o município de Chuí abriga cerca de 6,3 mil habitantes, segundo o IBGE. Além da fronteira, a região oferece atrativos naturais e culturais a poucos minutos do centro.

Barra do Chuí é um balneário de dunas e mar aberto, próximo à foz do Arroio Chuí, o ponto mais ao sul do Brasil. O Farol da Barra do Chuí, construção histórica do início do século XX, oferece vista para o Atlântico. O Parque Nacional da Lagoa do Peixe funciona como santuário ecológico, famoso pela observação de aves migratórias.

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