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Palestinos constroem arquivo digital que não pode ser apagado

Arquivo digital palestino com mais de 500 mil itens usa backups distribuídos para preservar memória cultural diante de destruição e ataques cibernéticos

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  • O PalArchive, arquivo digital da Palestine Museum, é uma iniciativa para preservar a memória palestina mesmo diante de bombardeios e saque.
  • Em 2018, começou a criar um “arquivo não saqueável” com mais de 500 mil itens digitalizados, incluindo fotos, diários, mapas e cartas.
  • O sistema é distribuído: cópias ficam armazenadas ao redor do mundo, para evitar perdas por ataques ou destruição local.
  • A iniciativa recebe apoio de voluntários, diáspora, Universidade da Califórnia e a Gerda Henkel Foundation, além de explorar ferramentas como leitura automática de árabe otomano.
  • A UNESCO já verificou danos a cento e sessenta e quatro sites culturais em Gaza desde outubro de 2023; o projeto também produz exposições globais, acessíveis mesmo sem visitar a Palestina.

O conflito tem ampliado a estratégia de preservação cultural palestina. A Palestina Museum, em Birzeit, criou um arquivo digital que não pode ser apagado, com backups distribuídos e hoje reúne mais de 500 mil itens, entre fotos, diários, mapas e cartas.

Amer Shomali, artista e diretor-geral do Museu Palestiniano, afirma que museus, galerias e arquivos foram alvejados ou controlados, com saque de cerca de 80% das coleções nacionais. A iniciativa digital surge como resposta a esse cenário de violência e perda.

O arquivo começou em 2018, a partir de visitas a famílias na Cisjordânia para digitalizar documentos, fotografias e correspondências. Hoje opera como um acervo aberto, acessível a quem não pode visitar a região.

Os itens são catalogados por uma equipe fixa de três profissionais, apoiada por voluntários. O projeto recebe doações da diáspora e parcerias com a Universidade da Califórnia e a Fundação Gerda Henkel.

A plataforma, chamada Palestine Museum Digital Archive, funciona com código aberto e já disponibiliza ferramentas para que comunidades possam reconstituir exposições em qualquer lugar do mundo. A ideia é manter a memória viva fora de qualquer prédio.

A proteção contra perdas físicas e digitais é parte central do projeto. Guiados por múltiplas cópias distribuídas globalmente, o acervo busca resistir a ataques cibernéticos e à destruição de acervos locais, conforme relatado por Shomali.

Além da preservação, a iniciativa amplia o acesso à história palestina. O objetivo é permitir que pesquisadores, artistas e curadores utilizem os materiais sem depender de deslocamentos ou de estruturas institucionais específicas.

Relatos de danos apontam ainda para um saldo cultural significativo. A Unesco, até 24 de março de 2026, verificou danos a 164 locais culturais em Gaza desde outubro de 2023, incluindo edificações históricas, museus e sítios arqueológicos.

A arquivística digital tem ganhado espaço como alternativa resiliente. Shomali descreve a rede de dados como uma “malha” que possibilita reescrever parte da memória de forma participativa, não apenas institucional.

Recentemente, artistas passaram a incorporar o acervo em projetos internacionais. Em maio de 2026, a curadora Leyya Mona Tawil utilizou conteúdos do arquivo para uma exposição em San Francisco, ressaltando o valor da memória como produção cultural.

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