- Comunidades Achuar e Wampis no Peru permanecem contrário à exploração de petróleo em Block 64, território que se sobrepõe a várias aldeias.
- Segundo levantamento, dezenove comunidades têm sobreposição com Block 64, sendo que nove têm sobreposição de cem por cento das áreas de suas terras.
- Empresas já tentaram explorar o bloco desde 1995, incluindo Talisman e Geopark; a Geopark desistiu após seis anos, e a operação voltou a ser considerada pela Petroperú em 2021.
- As lideranças indígenas veem com desconfiança as consultas prévias e destacam riscos, como vazamentos e impactos ambientais, incluindo a passagem de oleoduto pela região.
- Em resposta, as comunidades reforçam a proteção de seu território, realizaram protestos, acompanharam reuniões com autoridades e buscam reconhecimento integral de suas terras para barrar projetos extractivos.
O povo Achuar do Peru intensifica a oposição ao Bloque 64, alvo de exploração de petróleo. Em Yankuntich, na região de Loreto, indígenas realizaram uma dança de guerra para protestar contra os planos da Petroperú. A ação ocorreu após mensagens de tensão com o governo e empresas.
Os Achuar, junto com os Wampis, já resistem há décadas a tentativas de exploração no Bloque 64. Grupos afirmam que a área abrange territórios de várias comunidades, o que complica licenças ambientais e sociais para novos projetos.
Os líderes destacam que não aceitam atividades de extração em seus territórios. O movimento recebeu apoio de organizações como FENAP e SPDA, que questionam a legitimidade de intervenções sem o consentimento consensual das comunidades.
A oposição acontece em meio a históricos embates. O Bloque 64 foi concedido pela primeira vez em 1995, com a ARCO, e desde então várias empresas tentaram explorar a área, sem sucesso duradouro.
Geopark, terceira companhia envolvida, tentou manter operações até 2020, quando se afastou do projeto. Em 2021, a Petroperú anunciou que o Bloco 64 retornaria à exploração, reacendendo as preocupações locais.
Indígenas argumentam que o subsolo pertence ao Estado, com direito de uso, mas o consentimento e a proteção de suas terras devem acompanhar qualquer empreendimento. Relatos apontam histórico de violações ambientais na região amazônica.
Mongabay aponta que 22 comunidades possuem sobreposição de terras com o Bloque 64, com impactos variados. Entre as mais afectadas, estão Achuar, Wampis e Candoshi, em diferentes graus.
Críticas associam a processos de consulta prévia a ferramenta de legitimação de projetos, e não a um mecanismo decisório. Organizações de direitos humanos defendem participação real das comunidades nas decisões.
Na prática, o temor envolve não apenas a instalação de oleodutos, mas o transporte de petróleo, incluindo propostas de navios que cruzariam o Morona. Organismos ambientais destacam lacunas de segurança e gestão de riscos.
Em 2020, líderes Wampis e Achuar lançaram a campanha Atsá Geoparkka, buscando apoio internacional, incluindo ações públicas com celebridades e protestos fora de bases da Geopark. A pressão ajudou a intensificar o escrutínio do projeto.
O posicionamento atual permanece firme: os povos indígenas reiteram a rejeição à exploração de óleo em seus territórios. A defesa envolve titulação de terras, reconhecimento de territórios integrados e alternativas de desenvolvimento sustentável.
Indígenas destacam que, para além de rejeitar o Bloque 64, é necessária uma redefinição de políticas públicas que respeite a autonomia territorial. A expectativa é de maior reconhecimento internacional e monitoramento de ações do Estado.
A comunidade de Yankuntich, em especial, reforça que a proteção de suas florestas e rios é essencial para a sobrevivência cultural e econômica. O tema segue em pauta com reuniões e visitas de representantes oficiais.
Entre na conversa da comunidade