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Revolução de 32 e suas meias verdades marcam o feriado de 9 de julho

Revolução de 1932 mobilizou São Paulo contra Getúlio Vargas e deixou um legado de desconfiança entre as elites e o governo federal.

Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32 com a 23 de Maio ao fundo; tanto o monumento quanto a avenida são homenagens àqueles que participaram da campanha constitucionalista, em São Paulo (Foto: Ronny Santos/Folhapress)
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  • Há 93 anos, começou a Revolução de 1932 em São Paulo, um dos principais conflitos armados do Brasil no século 20.
  • O movimento, que se iniciou em 9 de julho, foi uma reação ao governo de Getúlio Vargas, que havia instaurado um regime centralizador após o golpe de 1930.
  • As elites paulistas se uniram contra Vargas devido à perda de poder e à centralização da economia, especialmente no setor cafeeiro.
  • O conflito, que também teve motivações econômicas e xenofóbicas, resultou em um episódio violento em 23 de maio, quando treze pessoas foram mortas.
  • Apesar da derrota em 2 de outubro, a revolução deixou um legado significativo, com a glorificação da memória do evento e mudanças na relação entre o governo federal e as elites paulistas.

Há 93 anos, São Paulo vivia a Revolução de 1932, um dos principais conflitos armados do Brasil no século 20. O embate começou em 9 de julho, quando cidadãos paulistas, incluindo homens e mulheres, se alistaram como voluntários contra o governo de Getúlio Vargas, que havia instaurado um regime centralizador após o golpe de 1930.

A revolução, chamada de Revolução Constitucionalista pelos paulistas e de Guerra Paulista pelos getulistas, teve causas complexas. As elites de São Paulo, insatisfeitas com a perda de poder e influência, uniram-se contra Vargas, que havia nomeado interventores e fechado instituições políticas. A historiadora Angela de Castro Gomes destaca que a insatisfação se acumulou desde 1930, quando muitos políticos paulistas perderam suas posições.

O conflito não foi apenas político, mas também econômico. A economia cafeeira, que antes era controlada por São Paulo, passou a ser uma questão nacional sob o governo de Vargas. A retirada de receitas e o controle da economia geraram forte oposição, conforme aponta a historiadora Ilka Stern Cohen. Além disso, a xenofobia contra não-paulistas, especialmente gaúchos e nordestinos, também foi um fator presente.

A mobilização incluiu diversos setores da sociedade, com a participação de elites, classe média e até mesmo trabalhadores. No entanto, a adesão de setores operários ao movimento foi limitada. A ideia de separatismo, embora presente em alguns grupos, não era a principal motivação da revolta, sendo mais uma estratégia de propaganda do governo federal.

O conflito teve início com um episódio violento em 23 de maio de 1932, que resultou na morte de 13 pessoas, intensificando a animosidade contra Vargas. A guerra se estendeu até 2 de outubro, quando os paulistas se renderam, enfrentando desvantagens numéricas e de armamento.

Apesar da derrota, a Revolução de 1932 deixou um legado significativo. O governo federal, percebendo a necessidade de repactuação, começou a integrar as elites paulistas ao novo regime constitucional. A memória do conflito foi glorificada, resultando em monumentos e celebrações que perpetuaram a imagem de resistência paulista. A relação entre o governo e as elites de São Paulo se transformou, mas a desconfiança em relação a Vargas persistiu, refletindo-se na toponímia da cidade.

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