O livro “Cachorros – A história do maior espião dos serviços secretos militares e a repressão aos comunistas até a Nova República”, do jornalista Marcelo Godoy, apresenta uma investigação aprofundada sobre o anticomunismo no Brasil, resultante de dez anos de pesquisa. O título refere-se aos infiltrados militares, destacando Severino Theodoro de Mello, conhecido como Pacato, […]
O livro “Cachorros – A história do maior espião dos serviços secretos militares e a repressão aos comunistas até a Nova República”, do jornalista Marcelo Godoy, apresenta uma investigação aprofundada sobre o anticomunismo no Brasil, resultante de dez anos de pesquisa. O título refere-se aos infiltrados militares, destacando Severino Theodoro de Mello, conhecido como Pacato, que, após ser preso em 1975, se tornou um agente duplo crucial para o desmantelamento do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Mello forneceu informações que resultaram na prisão e morte de diversos colegas, morrendo em 2017, aos 100 anos, sem enfrentar consequências por suas ações.
Godoy analisa a trajetória do PCB, evidenciando erros estratégicos que culminaram em tragédias como a Intentona de 1935, que deixou quase 100 mortos, e a falta de preparo para o golpe militar de 1964. O autor destaca que, em três momentos críticos, o Exército teve acesso a informações internas do partido, facilitando a repressão. A confiança excessiva dos líderes comunistas, como Luís Carlos Prestes, em vitórias eleitorais e promessas de aliados políticos levou à ilegalidade do PCB e à perseguição de seus membros.
O livro também revela a radicalização do PCB após ser proscrito, abandonando alianças com a “burguesia progressista”. Godoy menciona a rigidez ideológica do partido, que impunha severas regras sobre relacionamentos pessoais entre militantes. Em Minas Gerais, tentativas de criar áreas livres inspiradas na revolução chinesa resultaram em prisões em massa. Durante o governo Goulart, a tentativa de infiltração nas forças armadas por meio da sindicalização dos praças contribuiu para a radicalização militar.
A narrativa culmina com a desintegração do PCB nos anos 1970, exacerbada pela ação de infiltrados como Mello. Com a anistia em 1980, o partido se reduziu a um grupo de militantes desiludidos, enquanto o PT emergiu como a nova força hegemônica da esquerda, relegando o comunismo a um fantasma nas retóricas da direita radical.
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