Às vésperas do Dia Nacional da Visibilidade Trans, o Brasil enfrenta um aumento alarmante na violência contra a população trans. Dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, obtidos pelo Disque 100, revelam que as ocorrências de violência contra essa comunidade cresceram 45% em 2023, enquanto as violações aumentaram 73%. Especialistas apontam que, embora o aperfeiçoamento […]
Às vésperas do Dia Nacional da Visibilidade Trans, o Brasil enfrenta um aumento alarmante na violência contra a população trans. Dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, obtidos pelo Disque 100, revelam que as ocorrências de violência contra essa comunidade cresceram 45% em 2023, enquanto as violações aumentaram 73%. Especialistas apontam que, embora o aperfeiçoamento dos serviços de denúncia possa explicar parte desse crescimento, a falta de ações concretas do governo federal é uma preocupação crescente, especialmente em um contexto internacional marcado por uma agenda “anti trans”.
Recentemente, casos de violência extrema chamaram a atenção, como o ataque a uma mulher trans de 18 anos em João Pessoa, que foi baleada no rosto. Em Serra, uma mulher trans sofreu ferimentos graves após ser atacada com um facão por um cliente que se recusou a pagar por um programa. Além disso, um vídeo de uma mulher trans em Goiânia, que denunciou o uso incorreto de pronomes por uma funcionária de lanchonete, viralizou, evidenciando que as violações também ocorrem em contextos não físicos.
Em 2023, o Brasil registrou 145 assassinatos de pessoas trans, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. A maioria das vítimas eram mulheres trans, negras e jovens, com idades entre 28 e 31 anos. A ONG Trans Murder Monitoring reportou que, entre setembro de 2023 e outubro de 2024, o Brasil foi responsável por 30% das 350 mortes de pessoas trans registradas mundialmente. Apesar de uma leve redução nas mortes em 2024, a situação continua crítica, com 105 assassinatos até agora.
Ativistas, como Bruna Benevides da Antra, alertam para a necessidade urgente de políticas públicas efetivas em defesa da comunidade trans, destacando a falta de ações do governo federal. O pesquisador Marco Prado ressalta que a violência contra a população trans transcende gestões e que a sociedade civil tem sido a principal responsável pela coleta de dados e denúncias. A ONG Casarão Brasil, por exemplo, atendeu 2.566 vítimas em 2024, evidenciando a gravidade da situação e a necessidade de um compromisso governamental para garantir direitos e segurança à comunidade trans.
Entre na conversa da comunidade