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Tribunal indiano determina apreensão de duas obras de MF Husain por serem ‘ofensivas’

- Tribunal em Delhi ordenou a apreensão de obras de Maqbool Fida Husain. - Artista Amita Sachdeva alegou que as obras ofenderam sentimentos religiosos. - Galeria de arte defendeu a liberdade artística e não recebeu objeções. - Husain, famoso por suas representações polêmicas, já enfrentou críticas. - A decisão reabre debate sobre liberdade de expressão e arte na Índia.

Na segunda-feira, um tribunal na capital da Índia, Nova Délhi, determinou a apreensão de duas obras do falecido artista Maqbool Fida Husain, conhecido como MF Husain, após serem consideradas “ofensivas” por autoridades. O juiz autorizou a polícia a confiscar as obras, que retratam deidades hindus, após a advogada Amita Sachdeva alegar que as imagens “feriam […]

Na segunda-feira, um tribunal na capital da Índia, Nova Délhi, determinou a apreensão de duas obras do falecido artista Maqbool Fida Husain, conhecido como MF Husain, após serem consideradas “ofensivas” por autoridades. O juiz autorizou a polícia a confiscar as obras, que retratam deidades hindus, após a advogada Amita Sachdeva alegar que as imagens “feriam sentimentos religiosos”. Sachdeva, que registrou as obras em uma visita à Delhi Art Gallery (DAG), apresentou uma queixa policial em 9 de dezembro.

A DAG, que se autodenomina “a principal empresa de arte da Índia”, afirmou que “é notável que nenhuma outra pessoa entre cerca de 5.000 visitantes na galeria levantou objeções a qualquer uma das obras exibidas”. As obras foram adquiridas em um leilão da Christie’s e estavam em exibição na mostra “Husain: O Modernista Atemporal”, que ocorreu de 26 de outubro a 14 de dezembro. Após a queixa, Sachdeva visitou a galeria com um policial em 10 de dezembro, mas as obras já haviam sido removidas.

As duas obras postadas por Sachdeva mostravam os deuses hindus Hanuman e Ganesha ao lado de mulheres nuas. Ela alegou que a polícia de Nova Délhi não registrou um relatório sobre as obras. A DAG negou qualquer irregularidade, afirmando que a queixante “publicamente afirmou ser movida por uma agenda religiosa” e que ela mesma divulgou as imagens nas redes sociais, buscando uma audiência maior.

Na audiência, um juiz do Patiala House Courts informou que a polícia obteve imagens de CCTV da galeria e apresentou um relatório. O juiz esclareceu que a exposição “Husain: O Modernista Atemporal” era um evento privado, destinado a mostrar as obras originais do artista. Husain, que faleceu em 2011, já havia enfrentado controvérsias em vida, incluindo uma retratação pública em 2006 por uma pintura que gerou descontentamento entre hindus conservadores. Em 2008, a Suprema Corte da Índia decidiu contra a abertura de processos criminais contra Husain, afirmando que sua arte não era obscena e que a nudez é comum na iconografia indiana.

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