O presidente Lula e a cúpula do governo comemoraram as indicações do filme “Ainda Estou Aqui” ao Oscar, mas têm evitado discutir a ditadura militar brasileira, tema central da obra. Dirigido por Walter Salles, o filme foi indicado a três prêmios, incluindo melhor filme e melhor atriz, para Fernanda Torres. A narrativa foca na busca […]
O presidente Lula e a cúpula do governo comemoraram as indicações do filme “Ainda Estou Aqui” ao Oscar, mas têm evitado discutir a ditadura militar brasileira, tema central da obra. Dirigido por Walter Salles, o filme foi indicado a três prêmios, incluindo melhor filme e melhor atriz, para Fernanda Torres. A narrativa foca na busca da família do ex-deputado Rubens Paiva, torturado e morto pelo regime militar, pelo reconhecimento de seu corpo.
Lula expressou seu orgulho nas redes sociais e recebeu a atriz em Nova York durante a Assembleia-Geral da ONU. Contudo, o governo não avançou em ações relacionadas ao tema. O presidente cancelou eventos em memória dos 60 anos do golpe militar de 1964 e a Comissão de Mortos e Desaparecidos não teve progresso significativo sob a gestão do Ministério dos Direitos Humanos. O ministro Silvio Almeida havia planejado um evento no Planalto para marcar a data, mas Lula pediu o cancelamento de qualquer movimentação.
Essa postura gerou críticas, especialmente entre a esquerda, que questionou a contradição entre os discursos de Lula sobre democracia e sua falta de ação em relação ao golpe. O presidente considerou que a cobrança era um movimento de “bolha” e preferiu não se indispor com os militares, especialmente após os eventos de 8 de janeiro. Apesar de recriar a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos em julho de 2024, essa iniciativa não avançou, levando aliados a afirmar que Lula busca apenas acalmar a esquerda, sem considerar o tema como prioridade.
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