A defesa de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça no governo Bolsonaro, contestou a investigação sobre os bloqueios da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o segundo turno das eleições de 2022. O advogado Eumar Novacki afirmou que o relatório da Polícia Federal (PF) não reflete a realidade e carece de provas que demonstrem que Torres tentou […]
A defesa de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça no governo Bolsonaro, contestou a investigação sobre os bloqueios da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o segundo turno das eleições de 2022. O advogado Eumar Novacki afirmou que o relatório da Polícia Federal (PF) não reflete a realidade e carece de provas que demonstrem que Torres tentou restringir os direitos políticos dos eleitores, especialmente na Bahia e no Nordeste. Ele destacou que não há depoimentos que comprovem interferência direta de Torres no processo eleitoral.
Entretanto, a ex-diretora de Inteligência do Ministério, Marília Alencar, revelou que Torres ordenou o aumento das equipes de segurança nas ruas após o primeiro turno, com foco na Bahia, onde Lula (PT) tinha forte apoio. Alencar admitiu à PF que Torres buscou alterar o planejamento da PF, alegando que as forças policiais deveriam estar mais presentes nas ruas, especialmente em áreas com alta concentração de eleitores. Essa ação foi interpretada como uma tentativa de dificultar o acesso às urnas.
A investigação da PF concluiu que a distribuição ostensiva de policiais, especialmente nas proximidades das seções eleitorais, configurou um “ato de violência política” ordenado por Torres. O relatório, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), indicou que o ex-ministro utilizou recursos do Ministério da Justiça e da PRF para criar obstáculos aos eleitores, visando alterar o resultado das eleições em favor de Jair Bolsonaro.
Além disso, a PF indiciou cinco pessoas, incluindo quatro ex-membros da PRF, por envolvimento nos bloqueios. Um dos indiciados, Adiel Pereira Alcântara, relatou à PF que questionou as ordens recebidas e foi informado de que as determinações vinham do então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques. A defesa de Torres ainda não se manifestou sobre as novas informações reveladas na investigação.
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