Motociclistas que oferecem caronas por meio de aplicativos em São Paulo estão desafiando a proibição municipal, mesmo cientes do risco de apreensão de seus veículos. Atraídos por tarifas mais altas e maior demanda, muitos reconhecem a necessidade de formação para garantir a segurança no transporte de passageiros. O serviço está no centro de uma disputa […]
Motociclistas que oferecem caronas por meio de aplicativos em São Paulo estão desafiando a proibição municipal, mesmo cientes do risco de apreensão de seus veículos. Atraídos por tarifas mais altas e maior demanda, muitos reconhecem a necessidade de formação para garantir a segurança no transporte de passageiros. O serviço está no centro de uma disputa legal entre o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e as empresas Uber e 99, que argumentam que a proibição municipal é inconstitucional, uma vez que a legislação federal permite essa modalidade.
Recentemente, a 99 e a Uber retomaram suas operações de mototáxi, oferecendo tarifas até 40% mais baratas que as de carro. O motociclista Eric Leite, por exemplo, relatou que prefere corridas curtas e que a maioria dos passageiros não demonstra receio em utilizar o serviço. No entanto, dados alarmantes sobre a segurança no trânsito não podem ser ignorados: em 2024, 483 motociclistas perderam a vida em acidentes, um aumento de quase 20% em relação ao ano anterior, representando 46,8% das mortes no trânsito da capital.
A prefeitura, por sua vez, defende que a liberação do mototáxi aumentará o número de acidentes, citando um crescimento de 35% na frota de motocicletas nos últimos dez anos. Em resposta, a 99 e a Uber afirmam que o serviço é uma alternativa viável para a mobilidade urbana, especialmente em áreas onde o transporte público é escasso. A situação se complica com a abertura de um inquérito pela Polícia Civil para investigar possíveis crimes de desobediência por parte das empresas.
O embate político se intensifica, com vereadores divididos sobre a regulamentação do serviço. Enquanto alguns defendem a necessidade de regulamentação para garantir a segurança, outros criticam a postura do prefeito, que tem sido descrito como autoritário. A discussão sobre o mototáxi em São Paulo reflete um dilema mais amplo sobre a mobilidade urbana e a segurança dos trabalhadores que dependem desse serviço para sua subsistência.
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