Assinaturas de artigos científicos estão sendo comercializadas na internet para candidatos a programas de residência médica em instituições renomadas, como a USP e a Unicamp. Os vendedores prometem avaliação em até duas horas e publicação em até dez dias, com preços a partir de R$ 500. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga a […]
Assinaturas de artigos científicos estão sendo comercializadas na internet para candidatos a programas de residência médica em instituições renomadas, como a USP e a Unicamp. Os vendedores prometem avaliação em até duas horas e publicação em até dez dias, com preços a partir de R$ 500. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga a possibilidade de médicos pagarem por coautorias em pesquisas para aumentar suas chances de aprovação nos programas de residência.
Os Programas de Residência Médica (PRMs) exigem que os candidatos passem por provas, entrevistas e análise de currículo. Embora a coautoria em artigos não garanta uma vaga, ela pode proporcionar uma pontuação superior. A lista de médicos suspeitos inclui profissionais de áreas como psiquiatria e cardiologia que assinam estudos na “Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences”, uma revista de odontologia com sede em Macapá (AP). A publicação de um artigo nessa revista custa entre R$ 395 e R$ 435.
O editor-chefe da revista, Eber Coelho Paraguassu, defendeu a seriedade da publicação, afirmando que os questionamentos sobre a facilitação de publicações para candidatos à residência são infundados. Ele destacou que a revista mantém um processo editorial ágil e uma revisão rigorosa. Em outra publicação, a Revista FT, um artigo sobre a qualidade de vida de mães de crianças com TEA foi assinado por treze autores de diversas áreas, com promessas de avaliação rápida e preços semelhantes.
A AMB (Associação Médica Brasileira) classificou essa prática como fraudulenta e ilegal. O MPSP já iniciou uma investigação preliminar sobre o caso, e a Faculdade de Medicina da USP repudiou veementemente qualquer prática fraudulenta que comprometa a integridade acadêmica. A Unicamp não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
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