No Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, Minas Gerais, um agente do setor de inteligência registrou, em julho de 2020, cenas de tortura praticadas por policiais penais contra detentos. Vídeos obtidos pela Agência Pública mostram agentes armados agredindo prisioneiros nus ou em roupas íntimas, utilizando técnicas de imobilização e espancamento. O relatório 227/2021 da Assessoria […]
No Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, Minas Gerais, um agente do setor de inteligência registrou, em julho de 2020, cenas de tortura praticadas por policiais penais contra detentos. Vídeos obtidos pela Agência Pública mostram agentes armados agredindo prisioneiros nus ou em roupas íntimas, utilizando técnicas de imobilização e espancamento. O relatório 227/2021 da Assessoria de Informação e Inteligência Prisional documenta esses abusos, revelando um padrão de violência sistemática.
Os relatos indicam que o policial penal Paulo Henrique Alves, conhecido como “01 do GIR”, liderava as sessões de tortura. Detentos afirmam que as agressões eram comuns e que Alves se orgulhava de suas ações, tratando-as como um “esporte”. Depoimentos coletados revelam que os presos eram ameaçados de represálias caso denunciassem os abusos, com promessas de violência contra suas famílias.
Após a divulgação dos vídeos, houve movimentações internas, mas muitos dos envolvidos não foram responsabilizados. Alves foi afastado apenas em fevereiro de 2021, enquanto outros agentes receberam punições leves. O diretor-geral do presídio, José Fábio Piazza, não sofreu consequências, apesar de seu nome ter sido mencionado no relatório. A Secretaria de Justiça e Segurança Pública afirmou que investigações foram realizadas, mas a situação no presídio continua crítica.
Em 2024, o sistema prisional de Minas Gerais enfrenta sérias denúncias de tortura e superlotação. Um relatório recente apontou 278 queixas em seis meses, refletindo um problema estrutural. O juiz Wagner Cavalieri interditou parcialmente a unidade devido à superlotação, que está em 61,3% acima da capacidade. O presidente do Sindicato dos Policiais Penais alertou que a falta de investimentos na segurança pública agrava a situação, tornando o complexo um “verdadeiro barril de pólvora”.
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