Georgina Epiayú, a trans woman de 72 anos e primeira da etnia Wayuu a ser reconhecida como tal, compartilha sua luta por reconhecimento em um vídeo. “Consegui a letra ‘F’ no meu documento após 45 anos de insistência,” afirma, evidenciando a dificuldade enfrentada. Epiayú vive em Uribia, na Colômbia, e sua jornada é documentada no […]
Georgina Epiayú, a trans woman de 72 anos e primeira da etnia Wayuu a ser reconhecida como tal, compartilha sua luta por reconhecimento em um vídeo. “Consegui a letra ‘F’ no meu documento após 45 anos de insistência,” afirma, evidenciando a dificuldade enfrentada. Epiayú vive em Uribia, na Colômbia, e sua jornada é documentada no filme *Alma del desierto*, que estreia em janeiro de 2024. O filme aborda não apenas sua transição, mas também as consequências sociais e econômicas que enfrentou, incluindo o abandono familiar e a marginalização.
A luta de Epiayú reflete um problema mais amplo enfrentado pela comunidade Wayuu, que lida com barreiras linguísticas e falta de documentação. “Muitos não falam espanhol e dependem de ajuda para navegar na burocracia,” explica Mónica Taboada-Tapia, diretora do documentário. A situação é crítica, com 81% da comunidade enfrentando necessidades básicas não atendidas, como acesso à água potável e eletricidade. O filme também destaca a contaminação do Rio Ranchería, agravada pela mineração de carvão na região.
Taboada-Tapia, que se tornou uma amiga e apoiadora de Epiayú, ressalta a força da protagonista: “Ela é uma sobrevivente que dá esperança a muitos.” A amizade entre elas se desenvolveu ao longo de anos de filmagens, que revelaram a vida solitária de Epiayú e sua resiliência diante do machismo e da discriminação. O documentário não apenas narra sua história, mas também busca aumentar a conscientização sobre os desafios enfrentados pela comunidade LGBTQ+ na América Latina.
Após a conquista de seu documento de identidade, Epiayú agora sonha em participar das exibições do filme na capital. “Ver minha vida refletida no documentário me deixa nostálgica,” diz ela, expressando seu desejo de ser uma voz para sua comunidade. A luta de Epiayú é um símbolo da busca por dignidade e direitos civis, destacando a necessidade de inclusão e reconhecimento para todos os membros da sociedade.
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