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IBGE enfrenta crise interna após inclusão de prefácio da governadora Raquel Lyra no anuário

- A inclusão do prefácio da governadora Raquel Lyra no anuário gerou protestos internos. - Servidores do IBGE alegam que a decisão compromete a imparcialidade da instituição. - Tanto o Banco do Nordeste quanto a Sudene negaram ter financiado a publicação. - A situação reflete uma crise de confiança na gestão de Marcio Pochmann, já abalada. - O episódio levanta questões sobre a politicização de dados estatísticos no Brasil.

A inclusão de um prefácio da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), no anuário “Brasil em Números” do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) gerou controvérsias. O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, justificou a decisão como uma contrapartida pela ajuda financeira do governo pernambucano para a publicação impressa. Essa situação, inédita desde o início […]

A inclusão de um prefácio da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), no anuário “Brasil em Números” do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) gerou controvérsias. O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, justificou a decisão como uma contrapartida pela ajuda financeira do governo pernambucano para a publicação impressa. Essa situação, inédita desde o início da publicação em 1992, provocou protestos internos, especialmente em um momento de crise de confiança na gestão de Pochmann.

O prefácio, que destaca realizações da administração de Lyra, como os programas “Morar Bem” e “Bora Empreender”, foi criticado por servidores do IBGE, que alegam que a imparcialidade da instituição foi comprometida. Um funcionário experiente afirmou que a inclusão de textos políticos em publicações técnicas nunca ocorreu antes, ressaltando que o IBGE deve manter distanciamento de interesses políticos. Além disso, tanto o Banco do Nordeste quanto a Sudene negaram ter contribuído financeiramente para o anuário, contradizendo a fala de Pochmann.

A Sudene, dirigida por Danilo Cabral (PSB), esclareceu que firmou um acordo de cooperação técnica em 2024, mas não fez aportes financeiros. O Banco do Nordeste, presidido por Paulo Câmara, também negou qualquer financiamento, afirmando que sua participação foi apenas na produção do prefácio. O governo de Pernambuco não respondeu sobre o financiamento do anuário até a publicação da reportagem, e o IBGE não esclareceu os valores recebidos ou se a prática de parcerias financeiras é comum.

A polêmica se intensificou com a divulgação de cartas de servidores que alertaram sobre os riscos de abrir precedentes para conteúdos políticos em publicações técnicas. Pochmann, que já enfrentou críticas por sua gestão, viu a situação do prefácio de Raquel Lyra aumentar o desgaste interno, com mobilizações de funcionários que o acusam de promover interesses pessoais em detrimento da missão do IBGE de produzir estatísticas confiáveis.

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