Restos mortais de dezoito vítimas executadas durante a ditadura de Francisco Franco, na Espanha, foram identificados e devolvidos às suas famílias após mais de oito décadas. A cerimônia ocorreu no último domingo, 2 de fevereiro, no cemitério de Paterna, em Valência, onde milhares de vítimas foram enterradas em valas comuns sem identificação após a Guerra […]
Restos mortais de dezoito vítimas executadas durante a ditadura de Francisco Franco, na Espanha, foram identificados e devolvidos às suas famílias após mais de oito décadas. A cerimônia ocorreu no último domingo, 2 de fevereiro, no cemitério de Paterna, em Valência, onde milhares de vítimas foram enterradas em valas comuns sem identificação após a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Os corpos, majoritariamente de civis que se opunham ao regime, foram identificados por meio de análise de DNA.
Durante a cerimônia, as urnas foram cobertas pela bandeira tricolor da Segunda República Espanhola, deposta pelo regime franquista. Essa recuperação faz parte de um esforço maior para identificar as mais de 114 mil vítimas desaparecidas, que, segundo estimativas, estão enterradas em mais de 2.500 valas comuns na Espanha. O cemitério de Paterna é um dos locais mais emblemáticos dessa memória histórica, onde aproximadamente 2.238 pessoas foram fuziladas entre 1939 e 1956.
Até o momento, arqueólogos conseguiram exumar cerca de 1.500 corpos. Os homenageados pertenciam ao chamado “Túmulo 114”, conhecido como “Túmulo da Cultura”, que abriga artistas, escritores e professores executados. Dos 176 corpos encontrados nesse local, apenas 30 foram identificados até agora. Alex Calpe, codiretor da escavação, afirmou que essas pessoas foram “condenadas sem nenhuma garantia democrática e assassinadas”, ressaltando a importância de trazer à tona a memória histórica de uma época marcada pela violência política.
A Espanha é estimada como tendo o segundo maior número de pessoas desaparecidas à força no mundo, atrás apenas do Camboja. As exumações das vítimas do franquismo têm sido intensificadas nos últimos anos, mas o processo é demorado devido à falta de documentação de muitos desaparecidos.
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