O ex-ouvidor das polícias de São Paulo, Benedito Mariano, afirmou que o estado enfrenta “sua maior crise desde a transição democrática” na segurança pública. Essa crise é marcada pelo aumento da letalidade policial e pelas investigações que resultaram na prisão de policiais e delegados supostamente ligados ao Primeiro Comando Capital (PCC). As investigações foram desencadeadas […]
O ex-ouvidor das polícias de São Paulo, Benedito Mariano, afirmou que o estado enfrenta “sua maior crise desde a transição democrática” na segurança pública. Essa crise é marcada pelo aumento da letalidade policial e pelas investigações que resultaram na prisão de policiais e delegados supostamente ligados ao Primeiro Comando Capital (PCC). As investigações foram desencadeadas pelo assassinato do empresário Vinicius Grtizbach, que estava colaborando com a Justiça ao denunciar corrupção nas polícias.
Grtizbach, que foi assassinado em plena luz do dia no aeroporto de Guarulhos, estava sob investigação por lavagem de dinheiro para a facção criminosa e tinha um acordo de delação premiada. A situação impacta diretamente as ações do atual secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PL-SP), conforme reportagens recentes. Mariano, que atuou como ouvidor por sete anos, destacou que é “inaceitável termos policiais envolvidos com o crime organizado”.
As declarações de Mariano ocorreram durante a posse do novo ouvidor, Mauro Caseri, advogado filiado ao Partido dos Trabalhadores. A escolha do ouvidor é feita pelo governador a partir de uma lista tríplice elaborada pelo Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana). Caseri, em seu discurso, fez referência ao filme “Ainda estou aqui”, que retrata a história de Eunice Paiva, viúva do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado pela ditadura.
Durante o evento, a ouvidoria apresentou dados de 2024, revelando que o estado registrou 750 vítimas de letalidade policial no ano anterior, número superior aos 676 casos divulgados pelo Ministério da Justiça. A maioria das vítimas (746) eram homens negros, representando 58,67% do total.
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