A pandemia de Covid-19 evidenciou que a maximização de lucros não deve ser o princípio orientador para a alocação de recursos. Apesar de alertas anteriores sobre coronavírus, como SARS e MERS, as grandes farmacêuticas não desenvolveram vacinas até 2020. Além disso, a falta de equipamentos médicos, como ventiladores e máscaras, expôs a incapacidade do mercado […]
A pandemia de Covid-19 evidenciou que a maximização de lucros não deve ser o princípio orientador para a alocação de recursos. Apesar de alertas anteriores sobre coronavírus, como SARS e MERS, as grandes farmacêuticas não desenvolveram vacinas até 2020. Além disso, a falta de equipamentos médicos, como ventiladores e máscaras, expôs a incapacidade do mercado em prevenir riscos sistêmicos, como os relacionados a hipotecas subprime e a transição para energias verdes. A insatisfação popular, com salários defasados em relação ao custo de vida, também reflete a ineficiência governamental.
A economista italiana Mariana Mazzucato defende que os governos devem assumir um papel ativo como geradores de riqueza e guias de mercado. Isso implica que o setor público deve regular e incentivar o setor privado para alinhar suas metas de lucro com os objetivos sociais. Mazzucato cita inovações públicas, como telas sensíveis ao toque e sistemas de GPS, que não geraram retorno financeiro ao Estado. O conceito de productivismo, defendido pelo economista Dani Rodrik, sugere que os governos devem ir além da redistribuição e criar condições para a geração de “bons empregos”, fundamentais para a classe média.
Rodrik argumenta que a escassez de bons empregos é um sinal de declínio econômico e que a criação desses postos requer um esforço governamental deliberado. Ele propõe que o Estado utilize incentivos, como subsídios e regulamentações, para promover a produtividade e a transição para tecnologias sustentáveis. O modelo da DARPA, que coordena esforços em pesquisa e desenvolvimento, é um exemplo de como o governo pode atuar de forma proativa. Na Espanha, iniciativas como a Estratégia Nacional de Nutrição e a Estratégia da Indústria Farmacêutica visam garantir acesso equitativo a medicamentos e promover a inovação.
A presença do Estado é igualmente crucial em relação a tecnologias emergentes, como a inteligência artificial (IA). A professora Katharina Pistor destaca que a IA pode impactar profundamente a sociedade, e a regulação é necessária para evitar que interesses corporativos dominem o desenvolvimento tecnológico. A União Europeia busca equilibrar inovação e proteção de dados, com a criação de fábricas de IA para desenvolver modelos que respeitem os valores democráticos. A proposta de um mercado público para serviços de IA poderia garantir que o Estado defina a direção da inovação, evitando que empresas privadas determinem o futuro tecnológico.
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