Em junho de 1971, o militante brasileiro Edmur Pimentel de Camargo embarcou em um voo da companhia LAN com destino a Montevidéu, portando um salvo-conduto do governo de Salvador Allende. Seu objetivo era entregar uma carta ao ex-presidente João Goulart, mas Edmur nunca chegou ao destino. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade reconheceu que […]
Em junho de 1971, o militante brasileiro Edmur Pimentel de Camargo embarcou em um voo da companhia LAN com destino a Montevidéu, portando um salvo-conduto do governo de Salvador Allende. Seu objetivo era entregar uma carta ao ex-presidente João Goulart, mas Edmur nunca chegou ao destino. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade reconheceu que ele foi repatriado ilegalmente pelo regime militar brasileiro, com a colaboração da ditadura argentina, e que o Estado brasileiro teve responsabilidade em seu desaparecimento forçado.
Recentemente, uma carta de 16 de fevereiro de 1972, encontrada em arquivos do Ciex, revelou que agentes secretos argentinos infiltrados na LAN monitoraram o voo de Edmur e organizaram sua captura em Buenos Aires. A espiã cubana Sofia Lafoz, amiga de Edmur, alertou os asilados brasileiros sobre a operação, que foi facilitada por um adido da Marinha brasileira. O telegrama, que descreve a situação, menciona Edmur como “o banido” e destaca sua importância como fundador do movimento de guerrilha M3G.
Após seu desaparecimento, Edmur foi alvo de intensa pressão por parte de outros exilados e da imprensa, levando ao monitoramento constante do Ciex. Um informe do Exército, datado de outubro de 1971, expressou preocupação com a prisão de Edmur, considerando que os argentinos “se precipitaram” ao realizá-la. O governo militar continuou a acompanhar a repercussão do caso, mesmo após a morte de Edmur, que teria sido levado para o Aeroporto Internacional do Galeão no Rio de Janeiro no dia seguinte à sua prisão.
O ex-procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, criticou a demora na revelação das informações sobre o caso, afirmando que a Comissão Nacional da Verdade deveria ter sido criada logo após a redemocratização do Brasil. Fonteles ressaltou que a CNV surgiu tarde demais, quando as provas da brutalidade da ditadura já estavam comprometidas.
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