Nesta segunda-feira, 24 de fevereiro de 2024, a Polícia Federal (PF) divulgou 97 áudios de militares e manifestantes que estavam em frente aos quartéis antes da tentativa de golpe de Estado. Os áudios foram obtidos a partir de 1.200 equipamentos apreendidos e mais de 255 milhões de mensagens analisadas. Em um dos registros, o tenente-coronel […]
Nesta segunda-feira, 24 de fevereiro de 2024, a Polícia Federal (PF) divulgou 97 áudios de militares e manifestantes que estavam em frente aos quartéis antes da tentativa de golpe de Estado. Os áudios foram obtidos a partir de 1.200 equipamentos apreendidos e mais de 255 milhões de mensagens analisadas. Em um dos registros, o tenente-coronel Mauro Cid menciona a presença de pessoas de TI e hackers envolvidos na ação, afirmando que havia um “cara infiltrado em tudo que é lugar”, monitorando informações. Cid também lamenta a falta de evidências que possam abrir uma investigação.
Em outro áudio, Cid revela que o ex-presidente Jair Bolsonaro editou uma minuta do golpe, tornando-a “mais direta e objetiva”. Ele menciona que Bolsonaro estava sendo pressionado a adotar medidas mais radicais e que planejava discutir estratégias com o general Estevam Theophilo Gaspar de Oliveira. O coronel Côrrea Netto também comenta que Bolsonaro desistiu de assinar a minuta por medo e pela falta de apoio das Forças Armadas, afirmando que “só faria se tivesse apoio”.
O advogado de Bolsonaro anunciou que pedirá a anulação da delação de Mauro Cid, criticando o processo e a atuação do ministro Alexandre de Moraes. Em entrevista, o advogado questionou a legitimidade da delação e expressou preocupação com as implicações para o sistema jurídico. Bolsonaro, por sua vez, desqualificou as acusações da PGR sobre a tentativa de golpe, chamando-as de “denúncia Disney” e ironizando a situação em um evento do PL em Brasília.
Durante o governo de Bolsonaro, generais alertaram Mauro Cid sobre sua exposição ao cargo, sugerindo que ele deixasse a função de ajudante de ordens. Apesar dos conselhos, Cid se manteve no cargo, afirmando que a decisão de sua saída caberia ao Exército. Com a delação de Cid e o avanço das investigações, a cúpula militar agora considera que ele errou ao não atender aos apelos dos generais, reforçando seu papel em estimular Bolsonaro a implementar o plano de golpe e questionar a credibilidade do resultado eleitoral.
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