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Diversificação do crime organizado gera receita de R$ 147 bilhões em 2022

- Organizações criminosas faturaram R$ 186 bilhões com golpes digitais e furtos. - O mercado de combustíveis e lubrificantes gerou R$ 61,5 bilhões, o mais lucrativo. - Em 2022, atividades ilegais renderam R$ 147 bilhões, superando o tráfico de cocaína. - A alta carga tributária favorece o crescimento do crime organizado no Brasil. - Relatório destaca a necessidade de integração entre governo e justiça para combater o crime.

O relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revela uma alarmante diversificação das atividades do crime organizado no Brasil. Embora o tráfico de armas e drogas permaneça central, a venda ilegal de produtos como ouro, combustível, bebidas e tabaco gerou R$ 147 bilhões em 2022, superando os R$ 15 bilhões do tráfico de cocaína. […]

O relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revela uma alarmante diversificação das atividades do crime organizado no Brasil. Embora o tráfico de armas e drogas permaneça central, a venda ilegal de produtos como ouro, combustível, bebidas e tabaco gerou R$ 147 bilhões em 2022, superando os R$ 15 bilhões do tráfico de cocaína. Entre julho de 2023 e julho de 2024, as organizações criminosas ampliaram seus ganhos, arrecadando R$ 186 bilhões com golpes digitais, furtos e roubos de celulares.

O mercado mais lucrativo, conforme o relatório, é o de combustíveis e lubrificantes, que rendeu R$ 61,5 bilhões (42% do total). Em seguida, estão as bebidas, com R$ 56,9 bilhões, e o ouro, com R$ 18,2 bilhões. O setor de tabaco e cigarros, que representa R$ 10,3 bilhões, é marcado pela ilegalidade, com estimativas de que 40% do consumo seja de produtos não regulamentados. A alta carga tributária no Brasil favorece a rentabilidade desses mercados clandestinos.

Os autores do relatório destacam que as atividades ilegais formam um “ecossistema” que vai além do narcotráfico tradicional, explorando brechas na legislação e envolvendo lavagem de dinheiro e extorsões. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), vinculado ao Ministério da Fazenda, é um importante instrumento de vigilância, mas sua eficácia depende de ações concretas e articulação entre diferentes esferas do governo.

Sem um programa bem estruturado que integre federal, estaduais e municipais, a informalidade continuará a beneficiar os criminosos. O crime organizado no Brasil opera em uma escala industrial, enquanto a resposta do Estado ainda carece de organização e efetividade.

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