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Fintech 2Go Bank é investigada por enviar US$ 82,1 milhões a contas ligadas ao terrorismo

- A 2Go Bank, fundada em 2020, é investigada por lavagem de dinheiro do PCC. - A operação revelou transações de US$ 82,1 milhões com contas ligadas ao terrorismo. - O fundador, Cyllas Salerno, foi preso; ele era policial civil antes da fintech. - Delator assassinado indicou ligações da 2Go com membros do PCC assassinados. - Vácuos de fiscalização permitem que o crime organizado lave dinheiro com fintechs.

A fintech 2Go Bank foi alvo de uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta terça-feira, sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações revelaram que a 2Go Bank realizou transações com carteiras de investimentos e contas […]

A fintech 2Go Bank foi alvo de uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta terça-feira, sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações revelaram que a 2Go Bank realizou transações com carteiras de investimentos e contas digitais listadas em uma “lista negra” do Ministério da Defesa de Israel, que identificou 12 contas e 39 carteiras usadas para movimentação de criptomoedas com fins terroristas.

Em um relatório ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Topázio informou que a 2Go Bank transferiu US$ 82,1 milhões em ativos digitais para 15 carteiras mencionadas no alerta israelense. A investigação aponta que a 2Go Bank e a Invbank criaram uma engenharia financeira complexa para facilitar a lavagem de dinheiro, permitindo que membros do PCC adquirissem imóveis de luxo. O delator Antonio Vinicius Gritzbach, assassinado em novembro, havia denunciado a ligação da 2Go com integrantes do PCC.

Gritzbach alegou que a 2Go Bank estava associada a Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como “Cara Preta”, e a Rafael Maeda, o “Japa”, ambos mortos em 2021. As investigações também revelaram transações de R$ 11 milhões realizadas por “Cara Preta” com a Invbank entre 2021 e 2022. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, destacou que o esquema evidencia como o crime organizado se aproveita de “vácuos de fiscalização” do poder público.

O Coaf, que atua no combate a crimes financeiros, foi fundamental nas investigações. Recentemente, o governo federal revogou uma instrução normativa que buscava ampliar a fiscalização da Receita Federal, após desinformação sobre uma falsa taxação do Pix. Atualmente, fintechs como a 2Go e a Invbank não têm as mesmas obrigações de reportar movimentações que bancos tradicionais, o que dificulta a identificação de irregularidades por parte das autoridades.

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