- Congresso colombiano avalia um projeto de lei de rastreabilidade do gado para facilitar o monitoramento da movimentação de animais e reduzir o desmatamento ligado à pecuária.
- A proposta aperfeiçoaria um sistema digital de rastreamento da cadeia de carne, para identificar gado criado em áreas protegidas ou em fazendas que desmataram ilegalmente.
- Em 2023 havia cerca de 30 milhões de cabeças de gado no país, representando quase metade da produção agrícola, com exportações de carne viva em torno de $231 milhões e carne em torno de $32 milhões.
- O desmatamento em 2023 caiu, mas em 2024 voltou a subir, chegando a cerca de 107 mil hectares; pecuária e mineração ilegal foram os principais motores apontados pelo Ministério do Meio Ambiente.
- Se aprovada, a lei criaria selos de certificação ambiental, zonas de alta vigilância para áreas desmatadas e exigiria que frigoríficos e outros setores cumpram as regras em até dois anos, com apoio para pequenos produtores.
A aprovação de uma proposta de lei sobre rastreabilidade de gado está avançando no Congresso da Colômbia, com o objetivo de acompanhar o deslocamento de bovinos na cadeia de produção. O texto busca facilitar a identificação de animais criados em áreas protegidas ou em fazendas onde houve desmatamento para pastagem. A medida depende de votos no Senado e na Câmara.
O projeto prevê a integração de sistemas de monitoramento já existentes para cattle e desmatamento, além de formalizar um selo de certificação ambiental. O selo seria obrigatório para acesso a determinados mercados, fortalecendo a transparência sobre origem sustentável dos insumos.
Dados oficiais indicam que a Colômbia tinha cerca de 30 milhões de cabeças de gado em 2023, respondendo por boa parte da produção agrícola. Em 2023, as exportações de gado vivo atingiram US$ 231 milhões, e as de carne, US$ 32 milhões, números que devem crescer com expansão do comércio com o China, EUA e Canadá.
Entre 2020 e 2024, mais de 210 mil bovinos foram deslocados para pastos próximos ou dentro de parques nacionais como Tinigua, Picachos e La Macarena, sem registro claro de localização anterior, dificultando apontar impactos diretos na desflorestação. As autoridades destacam que o sistema atual não permite rastrear a origem na compra e venda entre fazendas.
Contexto de desmatamento e impactos
O Ministério de Meio Ambiente registrou um aumento de desmatamento em 2024, com o patamar de hectares derrubados subindo de cerca de 66 mil em 2023 para aproximadamente 107 mil. Os principais motores são pecuária e mineração ilegal, segundo o órgão.
Relatórios de organizações independentes indicam que áreas de parques nacionais sofreram perdas significativas de floresta: Tinigua perdeu cerca de 35% de cobertura, enquanto Picachos e La Macarena somaram dezenas de milhares de hectares. A Transição para rastreabilidade pode ampliar o controle sobre lotes e trânsito de bovinos.
O Instituto Colombiano Agropecuario (ICA) e o Ministério da Agricultura devem criar zonas de alta vigilância em áreas desmatadas, exigindo que produtores disponibilizem o registro de bovinos e adotem dispositivos de identificação, como pescoços com chips e GPS. A implementação prevê dois anos para adaptação de frigoríficos e indústrias.
Juan Carlos Losada, da Câmara dos Deputados, afirmou a Mongabay que o avanço depende de tramitação acelerada no Senado. Caso aprovado, o projeto liga-se a um esforço internacional de combate ao desmatamento associado à pecuária, conforme entidades ambientais.
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