Nesta quinta-feira, dois estudantes foram açoitados em público na província de Aceh, na Indonésia, após serem condenados por um tribunal islâmico por manter um relacionamento homossexual. A punição ocorreu em um parque na capital Banda Aceh, onde um homem recebeu 82 chicotadas e o outro 77, após uma redução de três chicotadas devido ao tempo […]
Nesta quinta-feira, dois estudantes foram açoitados em público na província de Aceh, na Indonésia, após serem condenados por um tribunal islâmico por manter um relacionamento homossexual. A punição ocorreu em um parque na capital Banda Aceh, onde um homem recebeu 82 chicotadas e o outro 77, após uma redução de três chicotadas devido ao tempo que passaram detidos. Este é o quarto caso de punição por homossexualidade desde a implementação da sharia em 2006, que foi uma concessão do governo para encerrar um conflito separatista.
Os homens, de 24 e 18 anos, foram detidos em novembro após serem flagrados por moradores em sua residência. A aplicação da sharia em Aceh, que é a única província da Indonésia a adotar essa lei, permite punições severas para relações homossexuais, com até 100 chicotadas para ofensas morais. A sharia é baseada no Alcorão e na tradição islâmica, e sua interpretação varia entre os países e correntes do Islã.
Grupos de defesa dos direitos humanos criticaram a punição, destacando a discriminação contra a população LGBTQ em Aceh. Andreas Harsono, da Human Rights Watch, afirmou que a situação é alarmante, caracterizando a intimidação e os abusos como um “poço sem fundo”. Além dos estudantes, outras duas pessoas foram condenadas a 34 e 8 chicotadas por jogos de azar.
A implementação da sharia em Aceh foi parte de um acordo de paz que permitiu a criação de um sistema judicial religioso. Apesar de a constituição indonésia não regular a homossexualidade, a aplicação da sharia na província é uma realidade que gera controvérsias e críticas, especialmente em relação aos direitos das minorias.
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