Em 17 de janeiro de 1961, o ex-primeiro-ministro congolês Patrice Lumumba foi assassinado pelo governo de Joseph Mobutu, em um golpe de Estado apoiado pela CIA e pela Bélgica. Lumumba havia sido destituído ilegalmente em setembro do ano anterior. Em meio a esse contexto, o músico Louis Armstrong se apresentou no Congo, sem saber que […]
Em 17 de janeiro de 1961, o ex-primeiro-ministro congolês Patrice Lumumba foi assassinado pelo governo de Joseph Mobutu, em um golpe de Estado apoiado pela CIA e pela Bélgica. Lumumba havia sido destituído ilegalmente em setembro do ano anterior. Em meio a esse contexto, o músico Louis Armstrong se apresentou no Congo, sem saber que sua turnê era utilizada como uma fachada pela CIA para facilitar o acesso à região de Katanga, rica em recursos minerais. A historiadora Susan Williams revelou, em 2021, que documentos da ONU confirmaram que Armstrong foi usado como um agente involuntário.
A turnê de Armstrong permitiu que uma delegação dos Estados Unidos entrasse em Katanga, que estava em processo de secessão. O músico, que apoiava Lumumba, criticou a busca por dinheiro do presidente secessionista, que pediu que ele se mantivesse “ajeno à política”. Outros artistas, como Dizzy Gillespie e Nina Simone, também foram utilizados em operações encobertas da CIA, sem saber da verdadeira intenção por trás de suas performances.
O documentário “Banda sonora para um golpe de Estado”, dirigido por Johan Grimonprez, explora a conexão entre o assassinato de Lumumba e o jazz. O filme destaca a manifestação de artistas afro-americanos, como Abbey Lincoln, que protestaram na ONU após o assassinato, chamando os responsáveis de “assassinos” e “escravistas”. Grimonprez também aborda a hipocrisia da política internacional da época, mostrando como o jazz foi instrumentalizado em uma estratégia cultural.
O diretor reflete sobre a atualidade do tema, mencionando a exploração contínua de recursos no Congo e a violência contra mulheres na região. Ele destaca a dificuldade de acesso a documentos históricos e a persistência de traumas coloniais. Grimonprez, que já ganhou notoriedade com outros documentários, aguarda sua primeira indicação ao Oscar, ironizando a percepção de que documentários são frequentemente subestimados nas premiações.
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