A UNICEF divulgou um relatório alarmante sobre a violência sexual sistemática contra crianças no Sudão, destacando que pelo menos 221 casos de estupro infantil foram registrados desde o início de 2024. Entre as vítimas, estão quatro crianças de um ano e doze menores de cinco anos. A maioria dos sobreviventes é composta por meninas (66%), […]
A UNICEF divulgou um relatório alarmante sobre a violência sexual sistemática contra crianças no Sudão, destacando que pelo menos 221 casos de estupro infantil foram registrados desde o início de 2024. Entre as vítimas, estão quatro crianças de um ano e doze menores de cinco anos. A maioria dos sobreviventes é composta por meninas (66%), mas 33% são meninos, que enfrentam desafios únicos para relatar esses crimes devido ao estigma social e ao medo de represálias.
O relatório revela que as crianças são frequentemente abusadas durante invasões a cidades, enquanto fogem do conflito ou estão detidas. A guerra civil no Sudão, que já dura quase dois anos, envolve forças leais a dois generais rivais, Abdel Fattah al-Burhan e Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti. Desde abril de 2023, mais de 28.700 pessoas foram mortas e mais de 11 milhões foram deslocadas, segundo dados da Armed Conflict Location and Event Data initiative.
Testemunhos de sobreviventes, como o de uma mulher chamada Omnia, revelam a brutalidade da situação. Ela descreveu como ouviu meninas sendo estupradas todas as noites durante os 19 dias em que esteve detida. A executiva da UNICEF, Catherine Russell, afirmou que as histórias devem “chocar a todos” e exigir ação imediata, ressaltando que a violência sexual gerou um clima de terror, especialmente entre as crianças.
A resposta humanitária da ONU no Sudão enfrenta sérias limitações financeiras, com cortes recentes em ajuda dos EUA que podem agravar a situação. Organizações locais, essenciais para o apoio a sobreviventes, recebem menos de 2% do financiamento total do Fundo Humanitário da ONU para o Sudão. A falta de recursos compromete a criação de espaços seguros para crianças e a assistência médica necessária, deixando as vítimas vulneráveis e sem apoio adequado.
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