Profissionais do carnaval de Salvador relataram maus-tratos e condições de trabalho análogas à escravidão durante a folia. A maioria das vítimas são os cordeiros, responsáveis pela segurança e controle do fluxo de pessoas em torno dos trios elétricos. As denúncias foram apresentadas à equipe do Plantão Integrado dos Direitos Humanos, liderada pela Coordenação de Erradicação […]
Profissionais do carnaval de Salvador relataram maus-tratos e condições de trabalho análogas à escravidão durante a folia. A maioria das vítimas são os cordeiros, responsáveis pela segurança e controle do fluxo de pessoas em torno dos trios elétricos. As denúncias foram apresentadas à equipe do Plantão Integrado dos Direitos Humanos, liderada pela Coordenação de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae), durante fiscalização no circuito Dodô, na Barra.
Os trabalhadores enfrentam violência institucional e maus-tratos por parte dos foliões, incluindo empurrões e agressões. Na madrugada de domingo (2), cinco cordeiras relataram episódios de violência. Uma delas, que preferiu não se identificar, mencionou que trabalha longas jornadas, saindo de casa antes das 7h e retornando após a meia-noite, sem suporte adequado dos blocos. O kit fornecido pelo bloco foi considerado insuficiente, com apenas um par de luvas e alimentos ultraprocessados.
Durante a fiscalização, a equipe do Coetrae encontrou trabalhadores na porta de um bloco tradicional, reivindicando melhores condições. Alguns não tinham dinheiro para o transporte de volta e pediam água. A Coetrae coletou dados e contatos para acionar órgãos responsáveis e discutir medidas de proteção e reparação para os trabalhadores com direitos violados. Os casos serão reportados às autoridades competentes.
Os cordeiros recebem cerca de R$ 100 por desfile, enfrentando jornadas exaustivas e condições degradantes. A coordenadora do Coetrae, Hildete Souza, destacou que a situação dos cordeiros reflete a desigualdade social e a exploração, especialmente contra profissionais negros. O Ministério Público do Trabalho na Bahia está monitorando as condições de trabalho durante o carnaval, exigindo que os blocos formalizem contratos com os trabalhadores.
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