Após a vitória de “Ainda estou aqui” como Melhor Filme Internacional no Oscar 2025, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou o diretor Walter Salles em suas redes sociais. Ele afirmou que o filme retrata uma “ditadura inexistente” e chamou Salles de “psicopata cínico” por suas críticas ao governo americano. Em sua postagem, Eduardo destacou […]
Após a vitória de “Ainda estou aqui” como Melhor Filme Internacional no Oscar 2025, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou o diretor Walter Salles em suas redes sociais. Ele afirmou que o filme retrata uma “ditadura inexistente” e chamou Salles de “psicopata cínico” por suas críticas ao governo americano. Em sua postagem, Eduardo destacou que o cineasta deveria ser grato ao país que lhe garante liberdade de expressão, enquanto criticava a prisão de inocentes.
Dados da Comissão Nacional da Verdade indicam que a ditadura militar brasileira (1964-1985) resultou em 202 mortos e 232 desaparecidos, além de milhares de vítimas de tortura. Uma resolução recente do Conselho Nacional de Justiça permitirá a retificação das causas de óbito de 434 brasileiros mortos ou desaparecidos, reconhecendo-os como vítimas do Estado. O filme inclui cenas impactantes, como a de Eunice Paiva segurando a certidão de óbito de seu marido, que foi assassinado durante a ditadura.
Salles, em entrevista após a premiação, comentou sobre a fragilização da democracia nos Estados Unidos, afirmando que o filme ressoa com o atual cenário político. Ele destacou a crescente crueldade no exercício do poder e a relevância do longa-metragem no contexto atual. A repercussão digital da vitória do filme foi marcada por um silenciamento de perfis de direita, com poucos comentários positivos sobre o resultado, conforme levantamento da FGV.
O sociólogo Marco Aurélio Ruediger avaliou que a vitória do filme pode indicar uma oportunidade para o Brasil superar a polarização política. Ele ressaltou que a obra transmite uma mensagem de força e resiliência, especialmente das mulheres, e que a direita não conseguiu apresentar argumentos críticos ao filme, o que contribuiu para o seu silenciamento. Ruediger acredita que essa mobilização cultural pode ser um caminho para a política em 2026.
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