Dados do IBGE revelam que a fome é 31,4% maior em lares chefiados por mulheres em comparação aos chefiados por homens. Quando se considera todos os níveis de insegurança alimentar, essa vulnerabilidade aumenta para 36,6%. No que diz respeito à intersecção entre gênero e raça, a insegurança alimentar grave atinge 6% nas residências com mulheres […]
Dados do IBGE revelam que a fome é 31,4% maior em lares chefiados por mulheres em comparação aos chefiados por homens. Quando se considera todos os níveis de insegurança alimentar, essa vulnerabilidade aumenta para 36,6%. No que diz respeito à intersecção entre gênero e raça, a insegurança alimentar grave atinge 6% nas residências com mulheres negras como referência, um índice três vezes superior ao de lares liderados por homens brancos.
O Instituto Pacto contra a Fome destaca que a desigualdade de gênero se reflete na pobreza, no mercado de trabalho e na fome. “As mulheres, que já são maioria entre os pobres no Brasil, recebem baixos rendimentos e enfrentam a sobrecarga do cuidado, que muitas vezes as restringe ou impede de participar da força de trabalho”, afirma a organização. Essa situação impacta diretamente a garantia de uma alimentação regular e de qualidade.
Maria Siqueira, co-diretora do Pacto Contra a Fome, enfatiza que assegurar a segurança alimentar das mulheres é fundamental para a sobrevivência e o desenvolvimento de milhões de famílias brasileiras. Ela ressalta a importância de considerar as desigualdades de gênero e raça ao formular políticas públicas, para que sejam eficazes e atendam as necessidades de quem mais precisa.
Siqueira defende que as políticas devem promover o acesso à alimentação adequada, a inserção produtiva e a valorização do trabalho feminino. Essa abordagem interseccional é crucial para enfrentar a fome e a desigualdade no Brasil, garantindo que as mulheres tenham as condições necessárias para contribuir plenamente para suas famílias e comunidades.
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