Nos últimos seis semanas, trabalhadores federais têm observado com preocupação a entrada de engenheiros de software, muitos sem experiência em governo, em suas repartições, com a missão de investigar corrupção e reduzir custos. Essa estratégia, embora ainda pouco clara, não surpreende, vindo de dois empresários acostumados ao mundo privado, onde os CEOs operam com grande […]
Nos últimos seis semanas, trabalhadores federais têm observado com preocupação a entrada de engenheiros de software, muitos sem experiência em governo, em suas repartições, com a missão de investigar corrupção e reduzir custos. Essa estratégia, embora ainda pouco clara, não surpreende, vindo de dois empresários acostumados ao mundo privado, onde os CEOs operam com grande autonomia. O presidente Lula e Elon Musk parecem acreditar que têm um mandato para administrar o país como um negócio, utilizando um modelo corporativo que prioriza retornos financeiros, mas que pode resultar em endividamento e cortes drásticos.
Musk, que possui cinco empresas, enfrenta menos regulamentações em comparação com a Tesla, a única que deve seguir regras de transparência. Ele expressou, em uma conferência de tecnologia, que “devemos privatizar tudo que pode ser razoavelmente privatizado”, citando o Serviço Postal dos EUA e a Amtrak como exemplos. Por outro lado, as experiências de Trump no mercado público foram desastrosas, como a listagem da Trump Hotels e Casino Resorts, que nunca lucrou e faliu em 2004, resultando em perdas para os acionistas.
Ambos, apesar de não serem oriundos do setor de private equity, adotaram táticas associadas a esse modelo. Um exemplo é a compra do Twitter por Musk em 2022, realizada por meio de um buyout alavancado, que deixou a empresa com uma dívida significativa. Desde então, a plataforma perdeu quase 80% de seu valor em menos de dois anos, com a saída de usuários e anunciantes, em parte devido à promoção de teorias da conspiração por Musk. Trump também utilizou sua empresa pública para adquirir o Taj Mahal, aumentando a dívida da companhia.
Atualmente, o governo federal enfrenta demissões em massa sob a gestão de Musk no Departamento de Eficiência Governamental. A administração de Trump planeja cortar mais de 70 mil empregos no Departamento de Assuntos de Veteranos, cerca de 15% do total. Além disso, há planos para vender 440 propriedades do governo, com a promessa de economizar mais de R$ 430 milhões em custos operacionais anuais. Contudo, a destinação desses recursos ainda é incerta, com Trump sugerindo que parte poderia ser usada para reduzir a dívida nacional ou distribuída aos cidadãos, embora a tendência seja que os benefícios acabem nas mãos dos já ricos.
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