Nos últimos dez anos, os empreendimentos habitacionais voltados para pessoas de baixa renda em São Paulo se concentraram nas Zonas Norte e Leste, focando em famílias que ganham entre três e seis salários mínimos. A pesquisa “Monitoramento da Produção de Habitação de Interesse Social por Atores Privados em São Paulo”, realizada pela Fundação Tide Setubal […]
Nos últimos dez anos, os empreendimentos habitacionais voltados para pessoas de baixa renda em São Paulo se concentraram nas Zonas Norte e Leste, focando em famílias que ganham entre três e seis salários mínimos. A pesquisa “Monitoramento da Produção de Habitação de Interesse Social por Atores Privados em São Paulo”, realizada pela Fundação Tide Setubal em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), revela que a maioria das construções foi feita pelo setor privado. Os resultados preliminares foram divulgados nesta terça-feira, 11 de março de 2024.
Entre 2014 e 2024, foram licenciados 2.146 empreendimentos de habitação de interesse social (HIS), representando 55% do total de imóveis residenciais licenciados na cidade. A pesquisa destaca que 2019 e 2020 foram os anos com maior número de alvarás. A localização dos empreendimentos é predominante nas proximidades das estações Parada Inglesa e Tucuruvi, da Linha 1 (Azul) do Metrô, e entre as estações Penha e Artur Alvim, da Linha 3 (Vermelha).
A pesquisa também aponta que a oferta de HIS para quem ganha até três salários mínimos é muito menor, com apenas 67 empreendimentos destinados a essa faixa. A coordenadora da pesquisa, Bianca Tavolari, explica que a maior oferta para a faixa de três a seis salários mínimos se deve à falta de crédito facilitado para os compradores. Além disso, a pesquisa constatou a falta de transparência nos dados sobre os empreendimentos, dificultando a análise da efetividade das políticas públicas.
Por fim, o estudo revela que a maioria das unidades HIS não está em prédios altos, mas em construções de poucos andares. Em relação à classificação, 80% dos empreendimentos têm apenas um bloco e 46% possuem até três pavimentos. A pesquisa também compara a situação em outras capitais brasileiras, destacando que São Paulo oferece os maiores benefícios fiscais e urbanísticos para a produção de HIS. A pesquisa ainda terá mais duas partes, com o objetivo de aprimorar as políticas habitacionais com base em dados mais precisos.
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