O escritor e historiador João Cezar de Castro Rocha afirmou em entrevista ao UOL News que é enganoso pensar que a força política da direita diminui com o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar do público reduzido no ato recente do ex-presidente, Rocha alerta que o bolsonarismo e a extrema direita […]
O escritor e historiador João Cezar de Castro Rocha afirmou em entrevista ao UOL News que é enganoso pensar que a força política da direita diminui com o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar do público reduzido no ato recente do ex-presidente, Rocha alerta que o bolsonarismo e a extrema direita não estão enfraquecidos. Ele destaca que o campo progressista deve ter cautela ao “celebrar” o declínio de Bolsonaro, pois a sobrevivência do bolsonarismo pode depender da associação com pautas de certas denominações evangélicas.
Rocha observa que, com o enfraquecimento de Bolsonaro, a direita e o conservadorismo podem se fortalecer, libertando-se da influência do ex-presidente. Ele menciona que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) se destaca como um nome importante da direita, com planos de fortalecer sua presença no Senado até 2026. O historiador também comenta sobre Tarcísio, que, segundo ele, busca herdar os “espólios” de Bolsonaro, mas pode hesitar em abrir mão da reeleição em São Paulo.
O historiador traça um paralelo entre a estratégia da extrema direita no Brasil e ações de líderes como Viktor Orbán na Hungria e Donald Trump nos Estados Unidos, que tentaram influenciar o Judiciário. Ele acredita que Nikolas Ferreira representa uma combinação de diferentes correntes políticas, unindo olavismo, teologia do domínio e conservadorismo, e que ele possui a habilidade retórica necessária para dialogar com diversos públicos. Rocha conclui que Ferreira é o nome a ser observado na direita brasileira, enquanto Tarcísio é visto como um desejo da elite, mais do que uma vontade popular.
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