O senador Márcio Bittar (União-AC), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentou um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar os Correios. Em 2023, a estatal registrou um prejuízo de R$ 3,2 bilhões. Bittar foi instruído por Bolsonaro a pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), […]
O senador Márcio Bittar (União-AC), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentou um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar os Correios. Em 2023, a estatal registrou um prejuízo de R$ 3,2 bilhões. Bittar foi instruído por Bolsonaro a pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem a autoridade para decidir sobre a instalação da comissão. Caso a pressão não funcione, os bolsonaristas consideram acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).
Para persuadir Alcolumbre, Bolsonaro sugeriu que Bittar busque apoio político, uma vez que o presidente do Senado está interessado em se reeleger. A expectativa entre os bolsonaristas é que, a partir de 2026, a direita terá a maioria no Senado, o que tornaria Alcolumbre dependente desse apoio. No entanto, a resistência de Alcolumbre é reconhecida, especialmente por sua tentativa de manter boas relações com o governo Lula.
A CPI proposta visa investigar a gestão do atual presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, que é acusado de decisões que levaram a resultados financeiros negativos. Bittar destaca que a CPI poderia esclarecer a desistência da empresa em uma ação trabalhista que resultou em um pagamento de R$ 614 milhões e um acordo que envolveu uma dívida de R$ 7,6 bilhões do fundo de pensão Postalis. Santos, por sua vez, nega qualquer irregularidade em sua gestão.
A situação é complexa, pois em 2021, o então presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também se opôs à instalação de uma CPI, desta vez sobre a Covid-19, levando a uma ação no STF que foi considerada uma interferência indevida por bolsonaristas. A proposta de Bittar, portanto, se insere em um contexto de tensões políticas e disputas de poder no Senado.
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