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Perfil dos alvos de ações no STF revela predominância de homens brancos e de baixa renda no 8/1

Condenações dos atos golpistas revelam perfil de réus: jovens, autônomos e muitos beneficiários do auxílio emergencial. Entenda os dados.

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O entregador por aplicativo Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, de 35 anos, deixou sua família em Marília, São Paulo, em 6 de janeiro de 2023, para participar de atos golpistas em Brasília. Detido no Palácio do Planalto, ele representa o perfil de muitos dos 1.586 réus em ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionados […]

O entregador por aplicativo Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, de 35 anos, deixou sua família em Marília, São Paulo, em 6 de janeiro de 2023, para participar de atos golpistas em Brasília. Detido no Palácio do Planalto, ele representa o perfil de muitos dos 1.586 réus em ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionados aos eventos de 8 de janeiro. A maioria dos acusados é composta por homens brancos, casados, com baixa renda e menos de 60 anos, com predominância de escolaridade até o Ensino Médio e renda de até dois salários mínimos (R$ 3.036).

Até o momento, o STF condenou 503 pessoas e absolveu apenas oito. Recentemente, a Primeira Turma da Corte tornou réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros ex-integrantes do governo por suposto envolvimento em uma trama golpista. O ministro Alexandre de Moraes apresentou dados que refutam a narrativa de que os acusados seriam “velhinhas com a Bíblia”, destacando que 91% dos condenados têm menos de 59 anos e que apenas 1,21% tinha 65 anos ou mais. A faixa etária mais comum entre os presos é de 45 a 54 anos.

A análise dos processos revela que 43,2% dos detidos são profissionais autônomos, enquanto 18,7% estavam desempregados. Além disso, 41% dos presos afirmaram ter recebido auxílio emergencial durante a pandemia. O caso de Rodismar Regasse Lirio, de 54 anos, que invadiu o STF e estava desempregado, ilustra essa realidade. A maioria dos réus vem das regiões Sul e Sudeste, com São Paulo e Minas Gerais liderando o número de prisões.

Pesquisadores apontam que o perfil dos detidos reflete a precarização do trabalho e o ressentimento social, fatores que podem ter contribuído para a radicalização política. A antropóloga Isabela Kalil sugere que o discurso de Bolsonaro, que se aproveitou da pandemia, ajudou a angariar adeptos entre aqueles que se sentem frustrados e buscam um culpado, como o PT e Lula. Essa dinâmica social e econômica é vista como um motor para o crescimento da direita radical no Brasil.

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